domingo, 12 de dezembro de 2010

... Reflexões sobre a invasão no Complexo no Alemão....



"Guardando as devidas proporções, o Estado com seu braço forte e poderoso, fez uma operação na Vila Cruzeiro e no Complexo do A lemão, usando a mesma estratégia de combate utilizada contra Antonio Conselheiro e a R evolta de Canudos; agiu rigorosamente da mesma forma que agiu contra Zumbi, no Quilombo dos Palmares, e teve o mesmo comportamento que teve no período do Regime Militar, quando se invadiam casas à cata de organizações de extrema esquerda e pessoas subversivas".

Marcelo Yúka




“É claro que
todo este estado de “beleza e caos”, tinha que acabar em algum lugar e acabou no limite máximo que foi o tráfico tomando conta da cidade. Umdomínio muitas vezes abalizado por uma parte de policiais corruptos e políticos inescrupulosos”.

Fernanda Abreu



Um tiro no pé

Marcelo Yúka

Músico - Criador do Grupo o Rappa

O desfecho de toda essa história que culminou com a invasão da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão foi um verdadeiro tiro no pé. Os traficantes com a onda de violência que espalharam pela cidade conseguiram unir a opinião pública contra a bandidagem. Por outro lado, ficou claro o tiro no pé, dado pelo poder público pelo fato de nos últimos anos não ter feito rigorosamente nada e deixado toda essas pessoas à margem da sociedade.

Como opróprio governador Sérgio Cabral admitiu, as coisas só chegaram a esse ponto de violência por omissão do Estado. O governador parece ter a exata noção do que, para muitos, há muitos anos parece óbvio: estamos gastando um dinheiro enorme com tanques, helicópteros, metralhadoras para combater aquilo que nós mesmos criamos. É mais fácil e mais barato comprar lápis, cadernos e construir salas de aula, que gastar dinheiro com armamentos.

Sou por natureza um pacifista e não faço apologia ao crime. Não precisamos ser sábios ou gênios para entendermos o que aconteceu, e para tanto, basta olharmos para o processo histórico. Guardando as devidas proporções, o Estado com seu braço forte e poderoso, fez uma operação na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão, usando a mesma estratégia de combate utilizada contra Antonio Conselheiro e a Revolta de Canudos; agiu rigorosamente da mesma forma que agiu contra Zumbi, no Quilombo dos Palmares, e teve o mesmo comportamento que teve no período do Regime Militar, quando se invadiam casas à cata de organizações de extrema esquerda e pessoas subversivas. As razões podem variar no tempo e espaço, mas a forma de ação do braço do poder ocorresempre da mesma forma.

Sempre, de maneira sutil, se estimula o que denominamos de “bom senso”, de justo e correto. É óbvio, que com isso, a sociedade se sente segura, protegida e abraça este “bom senso”, esta causa. A sociedade é conduzida a optar por ações de extrema energia. Mas este mesmo “bom senso”, teria também que nos fazer perceber que combatemos e queremos extirpar do nosso meio, de nossa convivência, um monstro que o Estado, o poder público, os meios de comunicação e nós, enquanto cidadãos criamos.

A indiferençaque essa mesma sociedade que hoje quer extirpar teve para com essas pessoas, a exclusão a qual submetemos as pessoas destas comunidades mais carentes e a omissão do Estado em relação a fazer qualquer coisa de concreta nos levou a esse estado de caos.

É preciso comunicar, diminuir distâncias e estou convencido de que a arma mais importante, mais sofisticada e mais poderosa nesse confronto foram as câmaras. Através das câmaras de nossas forças militares, vimos o domínio territorial que Exército, Marinha e Aeronáutica tinha sobre a região. As câmaras das emissoras de televisão não puderam romantizar e mostraram a dura realidade e as condições de vida daquelas pessoas caminhando

entre vilas, becos, biroscas e barricadas. E, finalmente, temos que ressaltar a importância das câmaras dos moradores, pois se as câmaras das TVs mostraram enquanto puderam a ação policial, as câmaras dos moradores, essas sim, tinham o poder de revelar tudo que acontecia por outra ótica, sobre outro ponto de vista O problema das câmaras é que chega um momento que elas precisam ser desligadas e aí ficamos desligados.

A desigualdade social nos faz viver numa sociedade complexa. Acho extremamente positivo que não estejamos vivendo num estado de exceção. Me deixa de ce rta forma indignado, perceber em nossa sociedade que muitos compartilham do pensamento que o traficante não tem direito à vida. Discordo dessa idéia, discordo dessa premissa. Não é porque ele tira a vida, que ele não tem direito

à vida. Não é porque ela tira a vida que ele tem que perder a vida. Não concordo que tenha que se combater a violência com mais violência.

Serei eternamente contrário a essa idéia. Não concordo nunca com o uso do braço forte. Minha sintonia é outra. Minha harmonia é outra. . Fiquei atento às câmeras e elas, enquanto puderam, mostraram que pelo tamanho do confronto que se anunciava, tivemos poucas baixas.

Para finalizar, quero apenas enfatizar uma coisa que há muito tempo digo: as facções criminosas não são organizadas e provaram isso se utilizando de uma tática burra e suicida ao alarmar, assustar a cidade. Deram um tiro no pé. Ao mesmo tempo em que provaram que são desorganizados, provaram também que existe uma mão invisível e poderosa, essa sim, muito organizada. Uma mão que mantém toda esta estrutura, todas essas organizações criminosas e as idas e vindas de drogas e armas. Combater essa mão invisível e tão poderosa é o grande desafio, a grande questão.


Sou carioca: Quero meu crachá

Fernanda Abreu

Cantora e compositora

Uma das criadoras da Banda blitz

Uma coisa é óbvia para todos nós e, principalmente, para nossas autoridades: a invasão da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão é o reflexo de políticas equivocadas ou de nenhuma política adotada nos últimos 30 anos na cidade. Há um total descaso com a parcela mais pobre e mais carente da sociedade. Nossos governantes nunca questionaram quem eram aquelas pessoas e como viviam. Nunca se pensou em um projeto de moradia, de transporte eficiente e nunca houve qualquer preocupação com a segurança e a saúde. É uma parcela que vive à margem da sociedade, logo, que vive marginalizada. Não se pensou na demanda da migração das pessoas que vieram de outros estados, na realidade daqueles que vieram tentar a vida nesta cidade.

O poder público nunca deu atenção, nunca se importou e sempre olhou de maneira indiferente e de forma preconceituosa para a formação rápida das favelas. Onde não há domínio público, alguém domina, e vimos, com isso, o surgimento do poder paralelo. Vimos por um lado o crescimento do tráfico de drogas e por outro a corrupção política e policial. Vimos primeiro a força do tráfico e depois a força das milícias.

Até 1990 não ouvíamos falar de subuse, de AK 47, de R15, de metralhadores e submetralhadoras. Tudo isso, passou a fazer parte do cotidiano da cidade. Me lembro que em 1992, compus a música Rio 40º, que de certa forma era meio visionária. Falava do Rio como uma cidade de cidades misturadas, e questionava de quem é essa viela, esse beco.

Falava da novidade cultural da garotada favelada ser subuse musical da batucada digital. Não era um incentivo à violência. Na verdade era uma proposta de tirar as balas dos carregadores das metralhadoras e colocar ali dentro chips musicais de batucada digital.

A garotada carioca, principalmente a parcela mais carente, gosta do funk, da escola de samba, de tocar pandeiros e tamborins. Esses meninos são de uma musicalidade rara. Fazem equipes de sons e a idéia da música Rio 40º era metralhar esses meninos de música e arte.

Já se passaram quase 20 anos, continuo achando que é preciso fazer esses meninos usarem suas armas, e uma delas, e talvez a mais poderosa delas, é a musicalidade. Já se passaram tantos anos, todos nós envelhecemos, amadurecemos, o Rio continua com uma temperatura de 40 graus, e eu continuo carioca e querendo meu crachá. Continuo querendo que essa cidade tenha dono. Que a cidade não seja partida e pertença a todos. Continuo sonhando que haja menos discriminação e segregação para que não tenhamos mais episódios como a invasão da Vila Cruzeiro e do Morro do Alemão.

É claro que todo este estado de “beleza e caos”, tinha que acabar em algum lugar e acabou no limite máximo que foi o tráfico tomando conta da cidade. Um domínio muitas vezes abalizado por uma parte de policiais corruptos e políticos inescrupulosos. O governo federal sempre se omitiu a essa questão e sabemos que as drogas e as armas entram por estradas e por aeroportos. Não é uma questão Municipal ou Estadual. Não é um problema particular do Rio, é sim uma questão de Estado, mas o governo federal sempre fechou o olho para a segurança pública.

Era inevitável este desfecho, aconteceria a qualquer hora e aconteceu: um dia acordamos com uma situação de emergência em razão dos acontecimentos que tomaram conta da cidade com ônibus, carros e motos sendo incendiados. Confesso que não entendi até agora, a idéia do tráfico em promover todo esse medo, toda essa desordem. Pela primeira vez, a comunidade apoiou as ações policiais e isso é compreensível. A polícia nunca foi vista como uma força que estava ali para proteger o cidadão. O morador não confia na polícia, em razão da corrupção. Uma policia que se fazia presente, mas deixava o tráfico acontecer e se beneficiava com isso. Todos sabem que em via de regra, a policia entra nas comunidades atirando, mas desta vez a comunidade percebeu a presença do Estado.

Percebemos uma certa euforia no ar, mas não se pode declarar vitória de nada. Foi dado um passo, e nós cariocas, estamos muito esperançosos. Nós que amamos esta cidade, desejamos que a cidade esteja em paz, mas foram tantos os desmandos e descasos, que ficamos com um pé atrás. É preciso transparência total. O governo precisa dizer o que irá fazer. Não desejamos respostas rápidas, imediatas e sensacionalistas. Desejamos apenas ter conhecimento do planejamento.

Me parece que o governo Sergio Cabral está atento e que não faz apenas uma maquiagem para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas. Só o fato de a favela estar nas mãos do Estado já é um alívio, um grande passo, mas precisamos saber os bastidores. Estamos cansados de políticas de bastidores.

O Rio tem essa tendência de acolher a todos, de não discriminar ninguém: uma cidade que sempre quis incluir outros povos, outras pessoas, outras regiões, nacionalidades, musicalidade e outras artes e manifestações culturais. Uma cidade que tem como símbolo um Cristo, prova o espírito da sociedade carioca que é o de estar com os braços abertos para todo mundo.


Malandros,marginais e marginalizados

Virgílio de Souza

Jornalista Responsável pelo Jornal Capital Cultural


O tráficoapresenta suas armas. Lá emcima, balas traçantes, bandidos armados até os dentes, com suas faces encobertas por panosencardidos. Risos, deboches, desafios... Lá em baixo, carros e ônibus pegando fogo... A cidade, sempre agradavelmente quente, ardia demedo e pavor.

O Estado apresenta suas armas: Marinha com seus poderosos tanques; Aeronáutica com seus helicópteros blindados; Exército fortemente armado nas ruas. Nossos soldados, sempre enclausurados dentro dos quartéis, como madres em conventos, estão prontos, se aprontam. É que nos quartéis lhes ensinaram antigas lições de morrer pela pátria...

Em nossas casas assistíamos perplexos o inicio de uma guerra anunciada. A cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro vivia um clima de medo, de insegurança. A Cidade Cartão Postal poderia implodir, sagrar...

Os meios comunicação mais uma vez faziam com que tudo fosse grande espetáculo. A guerra pela audiência transforma tudo num fantástico show da vida, embora o show da vida, em muitos casos, não seja tão fantástico assim. Com suas câmaras, profissionais e analistas que mais pareciam animadores de festa, mostravam nas janelas panos brancos. Queriam nos fazer acreditar que, finalmente, a sociedade exibia sua indignação e, por isso, se tornara amiga de fé, irmã, camarada da polícia, da força, das instituições e da legalidade.

Aprovar uma ação, ou ser induzido a apoiar uma reação não representa aprovar a corporação e muito menos as instituições. Não foi por culpa da sociedade, mas ela aprendeu a não acreditar na corporação, na polícia, nos políticos, nas instituições. De tão enganada, aprendeu, inclusive, a não acreditar nos veículos de comunicação. Será preciso que esse monopólio da comunicação, restrito na mão de meia dúzia de sortudos que ganharam uma concessão, resgate a credibilidade, fale muita verdade, para nos esquecermos que já falaram tanta mentira.

Ainda há um mês esses “isentos” veiculos de informação transformaram uma inocente bolinha de papel num rolo de durex, tão grande e tão destrutível que foi capaz de nocautear o candidato José Serra do PSDB e mandá-lo ao hospital. Como podemos acreditar? - Quem comete pequenas omissões é capaz de grandes mentiras, de grandes farsas, de enormes falcatruas e, por isso, aprendemos a não acreditar em nossos meios de comunicação.

Já há algum tempo a sociedade vem dando sinais de sua indignação. Já faz um bom tempo que sociedade se mostra exausta, cansada, de saco cheio. Uma gente que embora vá levando já não quer lembrar a canção de Milton Nascimento “Ri quando deve chorar e não vive apenas agüenta”.

Sim... Estamos cansados de sermos sacaneados e já não queremos mais respirar malandros e marginais por todos os cantos.Sim... Estamos cansado de termos que conviver e aturar esta “marginália bundona” e pé de chinelo, que se impôs com uma R-15 nas mãos e, quando o “bicho pega”, foge como ratazanas no meio da mata e em galerias de esgotos.

Mas não é só isso... Estamos também indignados com os párias da pátria que não precisam fugir e são amparados por Habeas Corpus obtidos na calada da madrugada.

Acreditaremos nas instituições no dia em que o braço da lei abraçar os malandros de colarinho branco, esses canalhas que dão golpes financeiros, promovem caixa 2, desfalcam o Ministério da Saúde, do Transporte, mas, porém contudo, todavia, entretanto e todas as vênias, permanecem em liberdade.

Seremos um pais sério, no dia em que não vermos mais proprietários de banco dando desfalque de US$ 4 milhões e obtendo o direito de pagar em dez anos, em suaves prestações, como se paga um carnê do Baú.

Respiraremos mais aliviados, no dia que vermos investigações mais rígidas para os prefeitos que brincam com a verba pública e orçam uma obra em 50 e gastam 500 milhões. Teremos fé, no dia em que não tivermos a notícia de pastores evangélicos que fazem lavagem de dinheiro de forma descarada e, num péssimo portunhol, declaram sorridentes: “Não Passa nada”.

Sim... A sociedade quer extirpar os marginais, a marginália que queima carros, ônibus e se transformaram numa ameaça constante, numa pereba cotidiana. Queremos nos ver livre dessa pereba, mas queremos também nos livrar deste câncer representado por uma elite doentia, sem princípios, que quanto mais tem mais quer. Que quanto mais rouba, mais quer roubar.

Queremos a exclusão destes bandidinhos, mas queremos também a exclusão de nosso convívio desses ratinhos da burguesia que colocam fogo em índios, como ocorreu em Brasília; batem em empregada doméstica como aconteceu no Rio ou agridem gays em plena Avenida Paulista. É preciso que o peso e a medida sejam iguais. Porque a balança da justiça tem que pender para um lado?

Não queremos os marginais e a marginalia, mas também não queremos os malandros e a malandragem que torra a grana pública sem nenhuma cerimônia. O que é mais condenável? - Vender cocaína, crack ou maconha ou desviar a grana da saúde que salvaria vidas e possibilitaria a criação de mais hospitais e possibilitaria um pais menos desigual? Estamos cansados dos marginais, dos malandros e, principalmente, de sermos marginalizados e transformados em pessoas de segunda, em uma sociedade de segunda, sem nenhum direito à cidadania.

Marginalizados quando temos que enfrentar intermináveis filas no ponto final do ônibus, das barcas ou do metrô. Otários, quando pagamos um plano de saúde e quando precisamos dos serviços não temos direito a uma série de direitos. E quem manda esses pilantras que não cumprem as regras dos planos de saúde e das concessões dos transportes públicos para a cadeia?

A marginalia pé de chinelo, de R15 nas mãos, vai para presídios de segurança máxima mas para qual presídio vão esses larápios, esses malandros abastados que governam o país há 500 anos e, há 500 anos, cometem todos os tipos de descasos e desmandos contra a sociedade, contra a nação?








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domingo, 10 de outubro de 2010

Quem reprova o Governo Lula?

Quem reprova o Governo Lula?

Opiniões de Carlos Lessa, Ex-presidente do BNDES; Pedro Luís (cantor e líder do Monobloco), Nelson Rodrigues Filho, jornalista; Roberto D’Ávila, jornalista; Zuenir Ventura, escritor, Paulo Lins, escritor; Antônio Pedro, ator; Carlos Bolsonaro, ex- capitão do exército e deputado federal e Carlos Fernando arquiteto e presidente do IPHAN, avaliaram o governo Lula e analisaram o perfil do pequeno percentual que reprova o presidente.

A história de Lula já se transformou em filme, mas tem potencial para virar uma bela novela. Não um melodrama qualquer, mas uma novela com direito a sofrimento, alegria, luta, perdas, dificuldades, adversários poderosos, derrotas e muito sucesso.
Opositores e adversários políticos tentam entender a razão do prestígio do presidente e vivem tentando encontrar seu “calcanhar de Aquiles”. Uns apontam seus programas sociais como o Bolsa Família, o PAC e mesmo os pontos de cultura como a razão de seu sucesso. Outros, em qualquer oportunidade tentam rogar praga e desqualificar sua popularidade.
Faltando três meses de deixar a presidência qual a opinião de importantes personalidades de nossa sociedade sobre Lula? – Quem reprova e quem aprova o atual presidente?


Uma sociedade em transformação
Pedro Luís
Cantor e Líder do Monobloco
“Não sou estatístico. Não sei exatamente onde se localiza esse pequeno percentual que não aprova o governo Lula. Nosso país passou por muitas dificuldades e vagarosamente vem se construindo. Quem acompanha o que aconteceu nos últimos 16 anos e principalmente com a administração do Lula, sabe que nossa realidade mudou para melhor. O fato é que estamos nos reconstruindo, mesmo com todos os erros e caneladas. Em razão das mudanças que aconteceram, a grande maioria das pessoas aprova a atual administração. Eu particularmente aprovo algumas coisas, desaprovo outras, mas não sei se é o caso de reprovar o presidente. Juro que não sei quem reprova. Eu aprovo e não diria exatamente por mim, mas pelas muitas pessoas que conheço que nunca antes tiveram qualquer oportunidade de consumir, de viver melhor, ter sua auto-estima e estarem inseridas na economia, no quadro social e financeiro. Essas pessoas pela primeira vez se consideram parte do quadro social do Brasil. Pela primeira vez se percebem cidadãs e, em razão disso, não importa muito quem reprova.”

Equívocos da governabilidade...
Carlos Lessa
Ex-presidente do BNDES

“Não se trata de aprovar ou reprovar. Faço parte da minoria que não apóia ou que pelo menos deixou de apoiar o governo Lula. O problema é que de início imaginei e acreditava que ele fosse realizar as mudanças que o Brasil precisava, mas isso não ocorreu. Aconteceram muitos equívocos e muitas negociações para garantir a governabilidade que me deixaram de certa forma frustrado. O Lula tinha um capital político que lhe permitiria fazer as mudanças que quisesse e não as fez. A aprovação do Lula é decorrente do fato de ele ser do povo, de falar sua linguagem, de se identificar com o povo. Não podemos negar que ele se identifica com o povo, que ama o povo, o povo se sente amado por Lula e retribui esse amor. Sente-se protegido. Não saberia dizer quem reprova talvez uma parte da elite, talvez uma parte de aliados que não aprovam a maneira como se comportou para garantir governabilidade.”

Os Príncipes e o presidente!!!
Carlos Fernando
Presidente Regional do IPHAN
“Esse pequeno percentual de pessoas não me parece que reprovam o governo, mas reprovam o Lula especificamente. Penso que são pessoas que sempre quiseram ter um príncipe como presidente e tiveram que conviver com um operário na presidência. Um homem que tem todas as características boas e ruins, se é que podemos analisar como ruins as características que um operário tem. É normal que operário fale errado, é normal que em muitas ocasiões não saiba como se comportar à mesa. Um operário não sabe agir como um príncipe. Um príncipe tem a norma culta, mas não podemos perder de vista que os príncipes durante séculos administraram esse país e só souberam se comportar à mesa. Nada mais eles souberam fazer. Esse pequeno percentual que reprova o Lula representa mesmo uma quantidade muito pequena da sociedade brasileira. São pessoas que sabem olhar a vida a partir das etiquetas, que sabem quais os garfos que devem ser usados e que, ao invés de falar seje, falam seja; para elas, não obedecer a essas etiquetas se torna um crime inominável. Penso que é gente que reprova o Lula. Penso que Lula é e será preterido eternamente por essas pessoas que preferem príncipes em vez de presidentes.”

Difícil sabe
r.
Zuenir Ventura - Jornalista
“Nossa! Que questão difícil! Eu não faço a mínima ideia de quem sejam e quais as pessoas que reprovam o Lula. Os institutos de pesquisas deviam fazer uma pesquisa para saberem quais pessoas reprovam o Lula. Acho que só os institutos estariam abalizados para responder tal questão. É possível que eles tenham essa composição, que saibam qual a parcela da sociedade que reprova o Lula pois, da mesma maneira que eles sabem quem aprova e qual esse percentual de aprovação, eles também devem saber quem reprova, onde estão e que parcela da sociedade representa. A única verdade e a única constatação que podemos ter nisso tudo é que a popularidade, o carisma e aceitação de Lula são coisas inegáveis. Não adianta dar soco em ponta de faca, achar – como muita gente da oposição – que a popularidade do presidente é decorrente de projetos como o Bolsa Família. Não adianta os opositores insinuarem que o prestígio de Lula vem especialmente de pessoas alienadas ou analfabetas, do segmento mais pobre. Não acredito que seja isso. Temos que admitir que o Lula, que conseguiu 80% de aprovação, realizou uma façanha que não é para qualquer um. Podem existir pessoas insatisfeitas com o governo dele por razões idiossincráticas, de preconceito, de antipatia, mas a verdade indiscutível é que ele tem carisma pessoal.”

Govern
abilidade e equívocos...
Nelson Rodrigues Filho
Jornalista e
Produtor Cultural
“Não há como negar que o governo Lula modificou uma série de coisas no país. Mudanças que atingiram principalmente as classes menos favorecidas. Apesar disso, não podemos perder de vista que o governo Lula também deixou a desejar no sentido do conceito de governabilidade. A reprovação do Lula é em decorrência de atitudes implementadas que são injustificáveis e, aos olhos de muitos, equivocadas. Fechar os olhos para algumas coisas em nome da governabilidade não parece uma coisa correta e justa. Não acho que esse índice de reprovação tenha a ver com a elite brasileira. Essa reprovação vem de pessoas que ajudaram a construir o processo de redemocratização do país, colaboraram no surgimento do PT e que não gostam de uma série de coisas que foram acontecendo. Não aprovam, por exemplo, essa história de em nome da governabilidade o governo fechar os olhos às falcatruas. É uma questão de avaliação. O presidente avaliou que era importante fazer isso, mas as pessoas que sempre estiveram a seu lado não são obrigadas a concordar com suas avaliações.”


Preconceito X Gen
erosidade
Roberto D’Ávila
Jornalista e um dos produtores do filme “Lula, o filho do Brasil”

“Penso que essa reprovação é fruto do preconceito. O presidente Lula mostrou nesses 8 anos que é um homem de espírito aberto e sem amarguras. Um homem que olha para o futuro, que sempre buscou fazer o melhor que pôde como governante. Claro que o Brasil ainda tem muito por andar, muitas coisas para mudar, mas Lula deu uma lição para todos nós brasileiros: nos ensinou como é importante a generosidade. Ele é um homem que sofreu tantos preconceitos ao longo de sua vida e nem por isso se tornou amargurado ou rancoroso. Conheço bem a vida do presidente, li muito sobre sua trajetória e conversei muito com ele. Acho o Lula quase um milagre: aquele homem que viveu uma caminhada sofrida na própria vida até chegar à presidência da República. Apesar de tudo, esse homem não guardou mágoa e não demonstra nenhum tipo de preconceito. Por tudo que o Lula representa, por sua trajetória, acho difícil alguém ser contrário a ele. Podemos nos manifestar aqui, ali, discordar por uma razão ou outra, mas ser contra o Lula acho muito difícil. O Lula é um homem que já é parte da história.”

Com a cara do Brasil...
Paulo Lins - Escritor
"Essa coisa de gostar ou não do lula ou reprovar ou não o Lula é muito curiosa. A sociedade brasileira construiu um caminho curioso e inteligente, pois num momento escolheu para presidente o que tínhamos de melhor que poderia representar a intelectualidade, quando elegeu e depois reelegeu o Fernando Henrique, um sociólogo que veio da USP e, num outro momento, escolheu o que tínhamos de melhor no que poderia representar os movimentos sociais e as pessoas mais pobres ao eleger e reeleger o Lula oriundo do movimento sindical. O problema dessas governabilidades era a proposta dos governos. Para quem se governava e como se governava. O Lula tem a cara do Brasil e por isso, o Brasil se identifica tanto com ele. Votei no Lula, fiz campanha por ele e tenho por ele uma profunda admiração pelo que ele representa. Essa coisa de não gostar de Lula é muito curiosa, pois o cara tem 80% de aprovação popular e confesso que não consigo identificar quem são as pessoas que não gostam de Lula. Eu gosto".


Oligarquias engessadas

Antônio Pedro - Ator
“O Lula se identifica com as pessoas e as pessoas se identificam com ele. Essa relação que o Lula estabeleceu com a sociedade foge a essa política viciada que temos e, que em razão disto, ele tem toda essa popularidade. Ele tem uma olhar e uma postura independente do circulo vicioso do poder. Ele culturalmente é uma pessoa independente de toda essa coisa que esta montada, em cima deste esquema político, desse sistema de poder político brasileiro. Culturalmente esses caras que representam essas oligarguais, esses sistema de poder estão engessados. Estão presos à forma de poder que aprenderam a pensar. Estão amarados às suas histórias e suas trajetórias. Nesses sistema de representação diria que o maior adversário de Lula é a mídia. Esta mídia inteira que faz parte deste universo viciado. São cinco famílias que mandam no sistema de informação do Brasil. Esses são os verdadeiros opositores de Lula, são as pessoas que reprovam Lula. O sistema de comunicação no Brasil representa um gueto que precisa passar por um profundo processo de democratização. Informação de quem? – Informação para quem? Se apenas cinco famílias mandam em todo sistema de informação. Vamos parar com essa demagogia de que representam a cultura, a democracia, a liberdade de expressão e a livre circulação de informação. Eles representam e defendem seus próprios interesses e farão o que puderam para se manterem e se perpetuarem no poder".

Um divisor de águas
Noca da Portela - Compositor
"Quem não gosta do Lula? – Eu juro que não sei quem não gosta do Lula, mas... Eu sei quem gosta do Lula. Gostam do Lula aquelas pessoas que sempre foram excluídas – negros, gays, população carcerária, favelados, indígenas, e muitos outros grupos que sempre estiveram impedidos de sonhar. São essas pessoas que vivem em uma das maiores economias do mundo, onde poucos têm tudo e uma grande maioria não tem nada. O Lula serviu como um divisor de águas. Podemos até ser hipócritas e não querer ver, mas existia um país antes do Lula e existe outro pais depois do Lula. Viajo muito o Brasil e sempre percebi a distância entre esses dois países e não há como negar que essa distância diminuiu muito".

Sociedade de Manobra
Jair Bolsonaro
Entr
evista ao Jornal Capital Cultural concedida em outubro de 2009
“Não se trata de aprovar ou reprovar o Lula, se tatá de analisar o governo Lula. Ele seria muito bom se implantasse uma política de paternidade responsável,com planejamento familiar ou mesmo um controle de natalidade. Esse pessoal que recebe o “Bolsa Família”, que chamo de “Bolsa Farelo”, estão criando uma cultura de gente que não quer estudar, não pode trabalhar e então, pede dinheiro ao Bolsa Família, que não serve para nada. Essas pessoas representam uma massa falida, uma massa de manobra, uma sociedade de manobra que tem um título de eleitor nas mãos para perpetuar o Número 13, no caso, o PT e o governo Lula no poder. Políticas sem sentido como cotas na universidade, bolsa ditadura, são pretextos para a manutenção no Poder. Não tenho razão para gostar ou desgostar do Lula, apenas acho seu governo absolutamente equivocado"

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sábado, 4 de setembro de 2010

Lapa - Ponto de encontro da diversidade brasileira



A Lapa, coração da cidade e ponto de ebulição da cultura carioca, se transforma se transforma deste sábado dia 4 até a próxima terça-feira, dia 7, no Ponto de Diversidade da Cultura Brasileira. Neste período acontecerá na Praça dos Arcos e na Fundição Progresso a I Reunião da Diversidade do MERCOSUL Cultural. O objetivo do evento é celebrar e dar visibilidade às nossas variadas formas de manifestações culturais.
Será uma oportunidade rara de grande parcela da sociedade vislumbrar, num só espaço, as muitas expressões existentes no país e que dificilmente encontram espaço para serem apresentadas ao público. Um momento oportuno e ímpar para celebramos a riqueza de nossa diversidade cultural.
O encontro tem também como objetivo mostrar a potencialidade de nossas manifestações culturais aos representantes de países do MERCOSUL. O Brasil representa atualmente a América do Sul no Comitê Intergovernamental da Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais da UNESCO e, na última reunião dos ministros de cultura do MERCOSUL, foi decidido por unanimidade que o Brasil realizará uma reunião para definir as diretrizes, ações e estratégias de implementação da Convenção na
O Encontro da Diversidade Cultural Brasileira é uma realização do Ministério da Cultura por meio da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural, em parceria com a Secretaria Estadual de Cultura do Estado do Rio de Janeiro.



Programação
Sábado – Dia 04 - Das 9h às 18h30
Local: Fundição Progresso
12h às 12h30 - Apresentação artística
Frederico Grinivald - concertina (ES)

Programação Artística nos Arcos da Lapa
19h - Chegança dos grupos da diversidade cultural
Tocadores de Clarim de Olinda; Mamulengo Só Riso; Maracatu Piaba de Ouro (PE); Folia de Reis Flor de Primavera (RJ); Bloco Afro Treme Terra; Tá Pirando Pirado Pirou; Bloco LGBT; Escola de Samba Mirim da Portela; Mio Vacite e dança cigana; Projeto Primeiro Passo Cia. Dança do Samba (RJ)
Ilú Obá de Min; As Valquírias - Grupo de percussão juvenil (SP)
Grupo Folclórico Ucraniano Brasileiro Vesselka (PR)

19h30 - Cerimônia de abertura
20h às 23h30 - Chegança Diversa
Dança do Toré do Povo Pankararu (SP)
Jongo de Piquete (SP)
Jongo do Quilombo São José (RJ)
Escola de Samba Mirim da Portela (RJ)
Bumba Meu Boi de Maracanã (MA)
Enraizados Hip Hop/break/grafite (RJ)
Harmonia Enlouquece (RJ)
Fandango Grupo Mandicuera (PR)
Samba de Roda (BA)

Domingo – Dia 05 - Das 20h às 23h30
Iguais na Diferença
Mestres de Cerimônia: Cia. Carroça de Mamulengos
Orquestra de Metais Lyra (SP)
Brô Mc - Hip Hop indígena (MS)
Maracatu Piaba de Ouro (PE)
Grupo Afro-Nordestinas - Hip Hop (PB)
Cia. Gira Dança (RN)
Banda Surdodum (DF)
Os Quentes da Madrugada - Irmandade de Carimbó São Benedito (PA)

Segunda – Dia 6 - Das 19h às 23h30
Identidade e Sonhos
Mestres de Cerimônia: Perfeito Fortuna e Josivaldo
Fandango de Chilenas (SP)
Cavalo Marinho Estrelas do Amanhã (PE)
Matéria Rima - Hip Hop (SP)
Grupo Folclórico Ucraniano Brasileiro Vesselka (PR)
Mio Vacite e o Encanto Cigano (RJ)
Sistema Nervoso Alterado (RJ)
Banda Caxiri na Cuia - forró indígena (RR)
Nelson Triunfo - Hip Hop (SP)
Lia de Itamaracá - Ciranda (PE)

Intervenções artísticas - Grafites
Local: Tapumes dos Arcos Lapa
Anarkia Boladona (RJ)
Fórum Nordestino de Grafite (MA)

Exposições
Culturas Populares - Retrospectiva
Local: Fundição Progresso
Fotógrafa: Mila Petrillo
Projeto Vidas Paralelas

Estandarte da Diversidade Cultural
Local: Praça dos Arcos
Manifestação Cultural
Queima do Alho, com Catira e Dupla de Violeiros
Local: Fundição Progresso
Rodas de Convivência –
Acesso restrito aos participantes inscritos no Encontro
As Rodas de Convivência vão reunir os representantes dos diferentes segmentos culturais convidados, em torno de alguns temas comuns. Por meio de relatos de experiências, os participantes poderão encontrar pontos em comuns em realidades diferenciadas, aproximar e se reconhecer no outro, quebrando preconceitos e refletindo como lidar com o diverso. A proposta é propiciar, aos participantes, uma experiência de respeito e convivência harmônica.

Temas das Rodas
Preconceito e Cultura da Paz
Espiritualidade e Diversidade Religiosa
Economia da Diversidade Cultural
Diversidade Cultural e Saúde
Tradição, Memória e Transmissão de Saberes
Diversidade Cultural e Meios de Comunicação
Mulheres e Diversidade Cultural
Educação para a Diversidade Cultural
Programação das Rodas de Convivência

Domingo - Dia 05
Local: Fundição Progresso
Horário: 9h30 às 12h30
Sala 1 - Preconceito e Cultura da Paz
Depoimentos: Culturas Populares, Pessoas com Deficiência, LGBT, Trabalhadores Urbanos
Sala 2 - Espiritualidade e Diversidade Religiosa
Depoimentos: Povos Indígenas, Saúde Mental, Comunidades Tradicionais de Terreiro, Cultura de Infância
Sala 3 - Economia da Diversidade Cultural
Depoimentos: Trabalhadores Rurais, Movimento Hip Hop, Pessoas Idosas, Povos Ciganos
Sala 4 - Diversidade Cultural e Saúde
Depoimentos: Movimento Hip Hop, Pessoas Idosas, Mulheres, Povos Ciganos
Sala 5 - Tradição e Memória e Transmissão de saberes
Depoimentos: Culturas Populares, Comunidades Tradicionais de Terreiro, Povos Indígenas, Mulheres
Sala 6 - Diversidade Cultural e Meios de Comunicação
Depoimentos: Pessoas Idosas, Comunidades Tradicionais de Terreiro, Pessoas com Deficiência, Trabalhadores Urbanos
Sala 7 - Mulheres e Diversidade Cultural
Depoimentos: Culturas Populares, Movimento Hip Hop, LGBT, Cultura de Infância
Sala 8 - Educação para a Diversidade Cultural
Depoimentos: Trabalhadores Rurais, Trabalhadores Urbanos, LGBT, Povos Ciganos
Horário: 14h30 às 18h30
(16h às 16h30 - intervalo para merenda)
Sala 1 - Preconceito e Cultura da Paz
Depoimentos: Povos indígenas, Movimento Hip Hop, Comunidades Tradicionais de Terreiro, Mulheres, Idosos
Sala 2 - Espiritualidade e Diversidade Religiosa
Depoimentos: LGBT, Idosos, Pessoas com deficiência, Trabalhadores Rurais, Povos ciganos
Sala 3 - Economia da Diversidade Cultural
Depoimentos: Culturas Populares, Cultura de infância, Saúde Mental, Trabalhadores Urbanos, Mulheres
Sala 4 - Diversidade Cultural e Saúde
Depoimentos: Povos indígenas, Pessoas com deficiência, Comunidades Tradicionais de Terreiro, Trabalhadores Rurais, Culturas Populares
Sala 5 - Tradição e Memória e Transmissão de saberes
Depoimentos: Povos ciganos, LGBT, Crianças, Movimento Hip Hop, Trabalhadores urbanos
Sala 6 - Diversidade Cultural e Meios de Comunicação
Depoimentos: Culturas Populares, Povos indígenas, Saúde Mental, Mulheres, Cultura da Infância
Sala 7 - Mulheres e Diversidade Cultural
Depoimentos: Povos Ciganos, Idosos, Trabalhadores Urbanos, Comunidades Tradicionais de Terreiro, Povos indígenas
Sala 8 - Educação para a Diversidade Cultural
Depoimentos: Cultura da Infância, Movimento Hip Hop, Saúde Mental, Mulheres, Comunidades Tradicionais de Terreiro






Segunda - Dia 6
Local: Fundição Progresso - 09h às 12h –
Mesa: A Integração da Diversidade Cultural na América do Sul, com representantes dos países do Mercosul Cultural
14h30 às 18h30
Sala 1 - Preconceito e Cultura da Paz
Depoimentos: Povos Ciganos, Cultura da Infância, Saúde Mental, Trabalhadores Rurais
Sala 2 - Espiritualidade e Diversidade Religiosa
Depoimentos: Culturas Populares, Movimento Hip Hop, Trabalhadores Urbanos, Mulheres
Sala 3 - Economia da Diversidade Cultural
Depoimentos: Povos Indígenas, LGBT, Pessoas com Deficiência, Comunidades Tradicionais de Terreiro
Sala 4 - Diversidade Cultural e Saúde
Depoimentos: LGBT, Cultura da Infância, Saúde Mental, Trabalhadores Urbanos
Sala 5 - Tradição e Memória e Transmissão de saberes
Depoimentos: Movimento Hip Hop, Pessoas com Deficiência, Saúde Mental, Trabalhadores Rurais
Sala 6 - Diversidade Cultural e Meios de Comunicação
Depoimentos: Povos Ciganos, Cultura da infância, Movimento Hip Hop, Trabalhadores Rurais
Sala 7 - Mulheres e Diversidade Cultural
Depoimentos: Pessoas com Deficiência, Saúde Mental, Trabalhadores Rurais, Mulheres
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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O bêbado nosso de cada dia...


Bêbados esse time de gente chata,
inconveniente e formada por todos nós

Os denominados “bêbados pegajosos” são apontados como os mais chatos, inconvinientes e indesejáveis. Já os denominados ‘bêbados travados’ - aqueles que combinam alcool e cocaína - são os que mais decpcionam, pois em condições normais,são pessoas doces, amigas e amáveis, mas quando combinam cocaína e alcool, mal conseguem falar.


Conversando com os entrevistados e outras pessoas que trabalham na noite,

chegamos a doze tipos de bêbados mais comuns:


Bêbado Pegajoso – É aquele que precisa falar e ao mesmo tempo segurar, abraçar e ficar falando próximo ao ouvido. É uma das espécies mais indesejada, pois fica extremamente chato e aluga permanentemente quem esta por perto. Normalmente não faltam cusparadas em todas as direções.
Bêbado Travado - Ler matéria abaixo "Doces, amáveis e travados".

Bêbado Maria Juana – São aqueles que combinam álcool com maconha e normalmente são incapazes de falar muita coisa. Ficam com cara de chapadões e os diálogos se resumem ao “Ah... Ah...”; “Podes Crer...”Tô ligado” e “Legal”...

Bêbado Melancólico – Aquele que depois que toma todas fica reclamando da vida, do trabalho, dos amigos, da esposa, dos filhos. Tudo que fala é só para reclamar.

Bêbado Chorão – Não sabe exatamente a razão que chora, mas depois que fica doidão abre o bueiro. Pode chorar por coisas ruins e mesmo por coisas boas que tenham acontecido em sua vida, mas o negócio é chorar.

Bêbado Gostosão – Esse tipo é um dos mais perigosos principalmente em lugares com muita gente, pois depois que enche o pote, se acha todo poderoso e que pode “pegar” todas as mulheres. Fica extremamente exibido, conta piadinhas de mau gosto e acredita ser tão absoluto que sequer respeita se a mulher não esta correspondendo ou se está acompanhada. Muitas confusões acontecem em decorrência desse tipo de bêbado.

Bêbadas Sem Noção – São aquelas mulheres que depois que bebem, perdem a noção de tudo e mesmo estando acompanhadas, dão mole para todo mundo e são responsáveis por algumas confusões Também é comum não darem mole para ninguém, mas ficarem em frente ao palco cantando e dançando sozinhas se esquecendo que chegaram acompanhadas de maridos, amigos.

Bêbado Brigão – É um dos piores que existe, pois depois que toma todas fica violento, raivoso, agressivo e por qualquer motivo que sair no tapa não medindo consequências

Bêbado Cauteloso – É aquele que quando percebe que já ultrapassou os limites sai de fininho, sem ninguém perceber. Quando se procura por ele já está em casa dormindo há muito tempo.

Bêbado Dorminhoco – É um tipo desagradável, pois na maioria das vezes dorme onde quer que esteja: na mesa do bar, no banheiro e mesmo sentado nas escadas. Dá trabalho para ser acordado. O bar fecha, todos querem ir embora e o sujeito continua lá dormindo feito um anjo.

Bêbado Acadêmico – É o que animado por umas doses a mais se acha o sábio. Pensa dominar todos os assuntos e em alguns casos fala coisas absolutamente incoerentes e sem sentido.

Bêbado Aminésia – Aqueles que aprontam todas conseguem assumir vários estádios de um bêbado passando pelo bêbado brigão, o gostosão e o pegajoso e no dia seguinte não se lembram de rigorosamente nada.

Bêbado Complexado – Quando bebe manifesta todos os traumas e complexo de inferioridade. Normalmente fica tímido, fala pouco, se sente sem ambiente e logo vai embora achando tudo aquilo um saco

Bêbado Solidário – Também chamado de Bêbado Bolsa Família – Esse quer ajudar todo mundo, chora com as injustiças sociais, fica deprimido com pessoas dormindo nas ruas e em alguns casos é capas de dar todo dinheiro que tem para os menos favorecidos.

Travados, doces, amaveis e travados

Preferindo não se identificar para não criar uma área de constrangimento, a maioria dos entrevistados aponta para um lugar comum: O pior bêbado é a aquele sujeito que dá um teco (cheira cocaína) e toma todas.
Para as pessoas que trabalham na noite esse é o tipo de bêbado mais insuportável, pois seu corpo já não obedece aos seus comandos em razão do excesso de álcool, mas sua cabeça raciocina de forma lúcida em razão do efeito da cocaína. Para um dos entrevistados a coisa funciona da seguinte maneira:
- O que sinto é que os corpos dessas pessoas já não obedecem em razão da quantidade de álcool que consumiram, mas pelo fato de terem cheirado, elas raciocinam com lógica e lucidez. Dessa combinação de cocaína e álcool temos um quadro curioso, pois embora raciocinando com lucidez, a voz fica truncada, travada e há uma grande dificuldade de falar. Os caras ficam cheios de cacoete, contorcem a boca e você acaba não entendendo nada do que falam. São pessoas que estão fisicamente bêbadas mas com a consciência trabalhando normalmente.
A queixa contra essa combinação de álcool e cocaína se repete em alguns outros depoimentos. Para um outro empresário, que inclusive já cheirou, sem entretanto se tornar dependente, e que autorizou que seu depoimento fosse citado desde que ele não fosse identificado, não faz nenhum sentido o cara cheirar e depois encher o pote:
- Minhas experiências com álcool e cocaína não foram nada agradáveis. Não dá para entender, pois se a cocaína dá uma onda legal a associação com o álcool coloca o individuo numa situação deprimente e decadente para quem olha de fora. Essa combinação deixa as pessoas totalmente desequilibradas, com dificuldade de articular, com nenhuma paciência para ouvir e o pior que algumas dessas pessoas são queridas, boas de conversa e muito amáveis. Não critico ou julgo ninguém, pois já estive nesse lugar, mas não faz nenhum sentido uma pessoa cheirar e depois tomar quatro, cinco doses de whisky ou um monte de cervejas.




Bêbados
Quem são? Onde estão? Como agem?
Quem são?
Eu, tu, ele, nós, vós, eles...
Onde estão?
Em todas as partes e lugares. Do bar mais simples, aqueles que chamamos “pé sujo”, aos restaurantes e casas de shows mais sofisticados e mais caros da cidade. Estão em toda parte, independe de cor, condição financeira ou social.
Como agem?
A resposta é extremamente difícil. Cada um age de uma maneira, e adquire
uma característica curiosa e uma personagem muitas vezes inimagináveis e até mesmo irreconhecíveis.


Nessa matéria conversamos com algumas pessoas que trabalham na noite, em espaços normalmente lotados de pessoas que curtem a noite para saber um pouco mais de saber como agem e se comportam essas pessoas que tomam umas a mais, ficam totalmente embriagadas e passam por um curioso processo de transformação. Veja a opinião de quem trabalha na noite e se você se enquadra em algum dos tipos de bebuns considerados indesejáveis.


Virginia Carvalho gerente musical do Carioca da Gema o pior tipo de bêbado é aquele que tem a necessidade de falar alto, segurando as pessoas principalmente pelo braço e, em condições normais, cospem para todos os lados: “Esse tipo de bêbado realmente é o mais indesejável. O cara primeiro tem que ficar te segurando, depois pensa que você é surdo e tem a necessidade de falar muito próximo a seu ouvido e, na maioria das vezes, costuma cuspir de uma maneira insuportável. É difícil conviver com esse tipo de bêbado”. Proprietário do Café Cultural Sacrilégio Lucas Pimentel, faz coro com Virginia e também aponta os denominados pegajosos os piores bêbados que freqüentam a noite:
- Esse é mesmo o pior tipo de bêbado. O cara mal o conhece, e já se sente cheio de intimidades. Existem algumas figuras que você nunca viu na vida, mas que ainda assim, o seguram pelo braço, falam ao seu ouvido, cospem por todos os lados e chegam inclusive a passar a mão no seu cabelo. E pior, você tem que concordar com eles em tudo que falam. Há um outro bêbado também muito inconveniente que poderíamos chamar de “bêbado matemático. É aquele cara que vem com um grupo de amigos, tomam 30 chopes e na hora de pagar a conta, para mostrar aos amigos um grande grau de organização quer argumentar que só tomou 29. Esses caras são capazes de discutir e criar confusão por um chope, mesmo com cada um dos chopes consumidos tendo sido marcados na cartela à sua frente.

Para Cláudia proprietária do Trapiche Gamboa o pior bêbado é o que faz a linha chorão: “Esses são sem dúvida os mais inconvenientes, pois ficam lamentando a vida, nos alugam, querem de todas as maneiras que sejamos solidários aos problemas que enfrentam e que os entendam de qualquer maneira. O pior de tudo, é que no próximo encontro se mostram envergonhados, pedem desculpas sem ter a exata dimensão do quanto perturbaram. Proprietária do Restaurante Sobrenatural, em Santa Teresa, espaço que de certa forma iniciou uma renovação no samba no Rio de Janeiro, no final da década de 90, Sérvula Bonfim não tem dúvidas em afirmar que o pior tipo de bêbado é o que faz a linha machão:
- Esses caras que bebem e faz a linha machão são os mais difíceis porque perdem completamente o senso e a razão. Pessoas que, lúcidas, são bacanas, educadas, mas quando tomam umas a mais ficam nervosas, raivosas, querem brigar e não escutam ninguém. É incrível o quanto ficam absolutamente irreconhecíveis. Esse para mim, é o pior tipo de bêbado.

Araken Torzeck Gerente Musical do Rio Scenarium, quando perguntado, pensou um pouco antes de responder, mas logo depois, encontra o perfil do pior bêbado que costuma freqüentar a casa: “Para mim são aqueles bêbados que poderíamos denominar de “bêbados carteiradas”, que não fizeram reservas, não querem entrar na fila, na maioria das vezes não gostam de pagar o que consumiram e quando você vai falar alguma coisa com o sujeito ele na maior cara de pau indaga; “você sabe com quem esta falando? - Você sabe quem sou eu? - Esse bêbado é muito chato, mas cito também aqueles que fazem a linha gostosão e que se acham no direito de azarar todas as mulheres independentes delas estarem acompanhadas ou não. Esse tipo de bêbado não tem limites, não respeita o espaço do outro e normalmente acaba criando situações constrangedoras”.
Issac Pinto que trabalhou como gerente do Bar Mais Será o Benedito e hoje administra o Bar do Bola Preta acha os pegajosos os piores com os quais tem que conviver: “Os caras são chatos mesmo. Seguram, falam no seu ouvido e acha que você esta à disposição deles. O pior ficam o tempo todo cutucando. Em alguns momentos o comportamento desse tipo de bêbado chega a irritar profundamente, mas você tem relevar, pois afinal de contas, são apenas bêbados”. Mesma opinião tem Marcio Pacheco do Beco do Rato:
- Esses caras com mania de ficar te segurando são mesmos os piores. Pô os caras são muito chatos, ficam cheios de intimidade, se metem em conversa que não foram convidados e confesso que é preciso muito paciência. O pior de tudo é que existem dias em que aparecem três ou quatro de uma vez. Nesses dias, meu amigo é preciso muita paciência - finaliza.
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sexta-feira, 6 de agosto de 2010


Tensão na sinfonia
Letícia Pimenta


Com seu apreço pelo rigor e pela excelência, o maestro Robert Minczuk implantou uma pesada rotina de trabalho na mais importante orquestra carioca. Além de melhorar a qualidade do conjunto, ele despertou a fúria dos músicos, com quem vive em permanente estado de guerra



Um simples convite para o Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão, o maior evento de música clássica da América Latina, provocou recentemente um motim na Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB). Inconformados com as condições da apresentação, marcada para sexta 9, os músicos exigiam seu cancelamento. Estavam tão contrariados que enviaram uma carta ao conselho curador da instituição, formalizando o pedido e reclamando acintosamente da hospedagem na cidade de São José dos Campos, a 90 quilômetros do concerto. No texto da correspondência, a insatisfação se concentrava nos deslocamentos que seriam feitos e em como os trajetos deixariam todos exaustos. Nas entrelinhas, havia algo mais. A decisão de registrar a queixa foi um importante capítulo na queda de braço travada entre os instrumentistas e o paulista Roberto Minczuk, que há cinco anos comanda o processo de reestruturação do conjunto. Cansados do seu estilo linha-dura, de sua filosofia militar, das horas e horas de ensaios, os artistas tentaram uma manobra para constranger e enfraquecer o regente a poucos dias do término de seu contrato, que se encerra no fim do mês. Em vão. Encantado com seu desempenho, o conselho manteve o espetáculo na cidade paulista, em um claro respaldo à posição do maestro. E mais: já decidiu que vai renovar seu compromisso até 2015. Mas a tensão entre o dono da batuta e seus subordinados não deve diminuir por causa desse episódio. Ao contrário. Vai permanecer aguda até que um dos lados resolva ceder, um cenário improvável no momento. “Vou transformar esta orquestra em referência internacional até a Olimpíada”, planeja Minczuk, 43 anos. “Não pretendo desistir antes disso.”

Injetar ânimo novo em uma estrutura decadente, minada pelo comodismo, é provavelmente um dos desafios mais complexos em termos de liderança, seja em uma sinfônica, seja em uma empresa, seja em uma redação de revista. A resistência às mudanças é natural, uma reação instintiva por parte de quem se acostumou a viver em uma zona de conforto. O roteiro dessa ópera é conhecido. Um belo dia, alguém novo, em geral com um histórico completamente diferente do daqueles que ali estavam, chega e diz que tudo o que era feito antes precisa ser transformado. Os objetivos agora são outros. Os critérios de avaliação também. Quem antes estava por cima passa a ter de provar novamente o seu valor, e, nessa trajetória, alguns são mandados embora. Por tudo isso, é compreensível que o organismo afetado procure rejeitar, com todas as suas forças, esse “invasor”. Encarado como um forasteiro, Minczuk encarna esse papel à perfeição. Desde que assumiu a orquestra, em agosto de 2005, já enfrentou sucessivas rebeliões e demonstrações explícitas de desapreço. É acusado de instaurar um regime marcial, com uma rotina de longos ensaios e um altíssimo grau de exigência técnica. Dependendo do ponto de vista, poderia ser até admirado por tais características. Os músicos, no entanto, não estão nada felizes com o ritmo adotado. Eles reclamam da redução nas folgas e de tendinite. Dizem que ele é ríspido no trato e pouco sensível aos desejos do conjunto. Resumo da ópera: um déspota sem coração. “Ele é inacessível, mal escuta o que temos a dizer”, ataca um instrumentista que pediu para não ser identificado.

Matéria retirada do site da revista Veja rio: http://vejabrasil.abril.com.br/rio-de-janeiro/editorial/m1961

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Sujou para os sujeiras.


Ficha Limpa
Sujou para os "Sujeiras"

Para compositores políticos
oportunistas precisam "sambar"

Havia um tempo em que futebol e principalmente a seleção brasileira serviam como uma cortina de fumaça para apagar os muitos problemas enfrentados pela sociedade brasileira. Não por acaso que, inspirado pela frase “a religião é o ópio do povo”, criou-se no Brasil a máxima “o futebol é o ópio do povo”.
Mas os tempos são outros; literalmente mudaram. Mudaram tanto que – acreditem se quiser –, em meio a uma Copa do Mundo, o TSE – Tribunal Superior Eleitoral –, atendendo a uma ação popular com 2 milhões de assinaturas, aprovou o projeto de lei “Ficha Limpa”. Um iniciativa séria, que pretende dar um cartão vermelho a políticos espertalhões, que só jogam em benefício próprio e armam de todas as maneiras para ludibriar o grande árbitro deste embate, que são os eleitores.
Samba e futebol sempre tiveram tudo a ver e, em razão disso, entrevistamos personalidades do samba para saber o que pensavam sobre a limpeza que se pretende instituir na política. Nomes importantes do universo do samba gostaram e até vibram com a ideia de se criar mecanismos para limpar o cenário político nacional de seus maus atores. Nelson Sargento, Toninho Geraes, Moacyr Luz, Monarco, Wilson das Neves, Richard e Dudu Nobre falaram sobre o assunto.
Embora a matéria tenha sido feita enquanto a jabulani rolava no Mundial da África do Sul, nossos compositores mostraram que estão ligados na política e aprovaram integralmente a proposta de jogar para escanteio essa gente que só pensa em desviar verbas públicas, comprar votos, apresentar contas que não batem. Nossos compositores e grandes bambas acham que chegou a hora dessa gente sambar.
Nelson Sargento, que trava uma luta árdua em favor da aposentaria dos compositores, considera o Projeto muito oportuno e justo: “Se é para limpar, temos que limpar. Não podemos mais conviver com tanta sujeira. Agora, quem tem a capacidade de fazer essa limpeza é o povo, votando de forma correta. Não adianta tanto trabalho, tanto sacrifício e ficarmos reclamando se, na hora de votar, depositarmos confiança nessas mesmas pessoas envolvidas em escândalos de toda natureza. Esta é a oportunidade que temos de fazer uma limpeza geral. A hora é essa”. O compositor Wilson das Neves que, ao lado de Paulinho Pinheiro, é autor do samba “No dia em que o morro descer”, que fala exatamente das desigualdades sociais existentes no país, comemora a decisão do TSE em cassar os políticos “fichas sujas”:
– Isso já deveria ter acontecido há 20 anos, ou melhor, essa sujeira na política nunca deveria ter acontecido. É preciso mesmo passar um pouco esse país a limpo. Não podemos conviver com a desonestidade de pessoas que foram eleitas pelo voto, com a promessa de representar o povo, mas que, quando são eleitas agem sem nenhum compromisso, armam todos os tipos de maracutaias possíveis, confiando na impunidade. Sou totalmente favorável e acho que agora o povo tem que fazer sua parte. Não dá mais para termos como representantes pessoas sem nenhum compromisso, sem nenhuma índole ou escrúpulo. Pessoas que só pensam em levar vantagem. O TSE está fazendo sua parte. Nós, enquanto sociedade, temos que saber fazer a nossa e alijar da política essas figuras. Merecemos políticos melhores e mais íntegros – acrescenta.
O compositor portelense Monarco também acha necessária e oportuna a decisão do Tribunal Superior Eleitoral em cassar as pessoas que fizeram da política um campo fértil para a sujeira: “Agora está nas mãos do povo escolher entre o que presta e o que não presta, entre o joio e o trigo. A lei está fazendo sua parte e temos que fazer a nossa. O que não podemos mais é termos pessoas que usam a política apenas em beneficio próprio e pensando em seus interesses pessoais”. O intérprete Richard, voz de muitos carnavais e que esse ano puxou o samba da Mangueira na Marques de Sapucaí, diz que seu apoio é total e irrestrito à decisão de se cassar os políticos que, de forma descarada e sem nenhum princípio, traem a confiança do povo:
– É a coisa mais justa que poderia acontecer. Chega de corrupção, de mutretagem, de cambalachos feitos à revelia do povo. Penso que todas as pessoas públicas, que vivem do público e responsáveis pelo que é público deveriam ser mais responsabilizadas por seus deslizes. Nosso voto é de certa forma nossa esperança de um país melhor e, se alguém trai nossa confiança, trai nosso voto, tem mesmo que pagar por isso. Vou além: quando esse alguém se deixa envolver em corrupção e falcatruas, deveria ser punido de forma exemplar para que outros não voltassem a cometer o mesmo erro. Acho pouco apenas perder o direito de concorrer; a punição teria que ser muito mais criteriosa.
Dudu Nobre é outro que acha que essa coisa de punir políticos desonestos demorou muito a acontecer e que cabe agora ao povo eliminar os que só pensam em “armar” para se dar bem: “Isso demorou muito a acontecer. É inconcebível que pessoas desonestas e que pensam apenas em se dar bem continuem na política agindo em nome do povo. É muito importante essa decisão do TSE. Agora está em nossas mãos: enquanto cidadãos e eleitores, temos que fazer nossa parte e ajudar nessa limpeza”. Sempre preocupado com os problemas sociais, Moacyr Luz diz que chega a causar perplexidade se criar uma lei para barrar pessoas desonestas no universo da política:
– Acho a lei fundamental, muito importante, mas fico perplexo e sem entender o fato da sociedade ter que se unir, recolher milhões de assinaturas para criar uma lei para nos livrarmos de pessoas desonestas. Se o cara é desonesto não pode ser político, não pode agir em nome do povo. Penso que a criação dessa lei é o mínimo, nós enquanto sociedade temos que ficar atentos e eliminarmos definitivamente essa gentalha. Desonestidade não cabe na política, na música ou em qualquer lugar de nossa sociedade.
O compositor Toninho Geraes, autor de grandes sambas, dentre eles “Uma Prova de Amor” e “Já Tive Mulheres”, sucessos na voz de Zeca Pagodinho e Martinho da Vila respectivamente, é outro que se mostra atento às discussões políticas e diz aprovar totalmente a iniciativa de criar mecanismos para punir a desonestidade na política:
– Essa coisa de política e desonestidade vem de longe e é fruto dessas oligarquias, dessas pessoas que se acham donas de tudo, que pensam que têm o direito de corromper a tudo e a todos. Antes, isso só acontecia nos grotões, mas de uns anos para cá tomou conta das grandes capitais através do populismo, de diversas formas de corrupção e essa medida de cassar os fichas-sujas é altamente positiva para o país. No fundo, acho muito pouco essas pessoas apenas perderem o direito de concorrerem, mas não posso negar que se trata de um avanço. Penso que estamos num processo de evolução e, com o tempo, vamos acabar banindo esses políticos corruptos que não servem à política.

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sexta-feira, 11 de junho de 2010

Interferência Urbanas à Revelia do Povo


Não se trata saber se o fechamento e a transformação da Avenida Rio Branco em grande boulevard será uma medida boa ou má, útil ou inútil. O questionamento necessário é: por que uma proposta destas antes de ser tirada da prancheta dos sábios engenheiros, arquitetos ou urbanistas não são discutidas com a sociedade?
Reza a lenda, que um prefeito foi eleito pelo povo e para governar para o povo e com o povo e por isto, não justifica este mesmo povo saber das transformações que acontecerão na cidade e, conseqüentemente, em suas vidas, apenas através dos noticiários dos jornais. Não pode-se governar de maneira unilateral: o prefeito decidiu e pronto e ponto, assim será.
Uma cidade não pode estar sujeita ao bom ou mau humor de um prefeito ou ao desejo insano de seus secretários ou colaboradores, muitas das vezes, visionários que apresentam projetos mirabolantes do que imaginam ser melhor para a cidade. A Avenida Rio Branco que será fechada experimentalmente no próximo dia 26 é apenas um exemplo. Pode ser algo absolutamente favorável ou não.
No caso especifico deste novo delírio, se algo não der certo, é possível voltar atrás, reabrir a avenida e tudo fica como antes como se nada tivesse acontecido.
Mas nem sempre o bom senso impera. A cidade, a sociedade tem pago um preço alto – em todos os sentidos - com estas atitudes tomadas à revelia por nossos representantes.
Os mais velhos, ainda se lembram e lamentam profundamente a destruição do Palácio Monroe, em 1975, pelo então presidente Ernesto Gisel. Mas este cidadão era presidente durante um período ditatorial e um “prediozinho qualquer” não poderia interferir – leia-se impedir - a modernização que o metrô representaria para a cidade. O infeliz do palácio estava no caminho do metrô então não há o que se discutir ou questionar: levaram o prédio ao chão.
Mas a ditadura acabou, fomos às urnas e tivemos direito ao voto. Mas democracia não é sinônimo de harmonia com o desejo do povo. Esta deficiência de captar o desejo da sociedade pode ser observada no desejo nsano do Exmo. Prefeito César Maia em construir, primeiro o Museu Guggenheim e posteriormente fazer as obras na Marina da Glória.
Quanto ao palácio Monroe, não houve opção: foi ao chão uma das mais belas obras da arquitetura da cidade, um crime contra o patrimônio histórico. O famigerado projeto do Museu Guggenheim - muito mais um delírio de dois ou três – a sociedade se organizou, disse não e os projetos não saíram do papel; desfecho parecido foi os das obras da Maria da Glória, que a sociedade também disse não, se organizou e impediu que acontecesse. Os jogos pré-olímpicos, que eram o pretexto para tal obra passou, não trouxe rigorosamente nada de benéfico para a cidade, como alardeavam nossas autoridades, mas o esqueleto da famigerada obra da Marina continua lá, testemunhando a falta de harmonia de nossos alcaides com o desejo do povo...
Um pouco antes disto, o prefeito Luis Paulo Conde planejou colocar no chão a Perimetral. Não se sabe por que o desejo não foi adiante. Mas Conde deixou sua marca, restaurando total e completamente a Rua do Lavradio. Ao menos algo de lúcido neste festival de insanidades.
O fechamento da Avenida Rio Branco é a polêmica que começa a tomar conta da cidade. A sociedade carioca não deve ter nada contra o Sr. Sérgio Dias, mesmo porque não sabe quem ele é. Dias é Secretário de Urbanismo do prefeito Eduardo Paes, e é ele quem comanda o denominado projeto Rio Verde e uma das primeiras medidas é exatamente o fechamento da antiga Avenida Central.
A exemplo do que aconteceu com o Museu Guggenheim o projeto é tratado a 7 chaves – esconder projetos a 7 chaves parece uma prerrogativa para se fazer intervenções na cidade. Guardando as devidas proporções, Sérgio Dias lembra muito Alfredo Sirkis (urbanismo) e Ricardo Macieiras (cultura) ex-secretários do prefeito César Maia, que, com suas pastinhas embaixo dos braços e andavam para lá e para cá, ao lado de Jean Nouveau prometendo que o Rio emergiria do Cais com o Guggenheim. Os dois apresentavam Nouveau como o maior gênio da arquitetura, parecia até que ele havia inventado a arquitetura. A sociedade não gostou da idéia, torceu o nariz para Nouveau, fez passeatas e o Guggenheim foi literalmente por água abaixo.

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Aurea Martins

personagem músical do mes de junho nos brinda com sua belíssima voz, durante a festa de aniversário do Jornal.
Participação Especial: Laura Brandão e Paulão Sete Cordas.



Falar o que de Áurea Martins, falar o que sobre Áurea Martins? Essa negra senhora, simples, suave, meiga, dona de uma das vozes mais belas de nossa música, que quando canta, encanta. Com seu permanente sorriso, é uma dessas pessoas que dá prazer ficar ao lado. Não por acaso é considerada pelas jovens cantoras que se apresentam na noite do Rio de Janeiro uma diva.
Áurea em 2009 merecidamente foi vencedora do Prêmio da Música Brasileira, na condição de melhor cantora pelo trabalho desenvolvido no Cd “Até sangrar”. Sua história, sua competência e seu dom de cantar e encantar vem de longe. Iniciou a carreira na década de 60, participando do concorrido programa “Tribunal de Melodias”, comandado por Mário Lago e Paulo Gracindo na Rádio Nacional-RJ. Agradou tanto em suas apresentações que foi contratada pela emissora. A responsabilidade era grande pois era comandada por Paulo Gracindo, César de Alencar e Manoel Barcelos, considerados profissionais extremamente exigentes. Na época, se apresentava ao lado de Elis Regina e Peri Ribeiro, outras duas grandes promessas que surgiam na música brasileira.
Em 1969 mais um desafio: decidiu concorrer no programa “A Grande Chance” de Flávio Cavalcanti. Programa que chegava à sua quarta edição e era um dos mais prestigiados da época. Saiu vencedora com louvor, e como premiação ganhou a gravação de um disco e uma viagem a Portugal. Levou dois anos para elaborar um disco como queria. Finalmente, em 1972, lançou “O Amor em Paz”. No repertório clássicos como: “Apelo” (Baden Powell - Vinícius de Moraes), “Fim de noite” (Chico Feitosa - Ronaldo Bôscoli), e “Atrás da porta” (Francis Hime - Chico Buarque).
Ao longo da carreiira dividiu palco com grandes nomes de nossa música dentre eles, Mílton Nascimento, Marisa Gata Mansa, Alcione, Emílio Santiago, Elza Soares, Johnny Alf, Baden Powell, Cauby Peixoto, Dona Ivone Lara, Leci Brandão, Zezé Gonzaga, Nélson Sargento, Chico Feitosa, e outros. Uma de suas maiores fãs era Elizete Cardoso que sempre que podia ia assistir suas apresentações.
Em 2004, lançou o disco “Áurea Martins”, o segundo de sua carreira. Antes disso, participou de diversos trabalhos importantes como, por exemplo, songbooks de Tom Jobim e Chico Buarque, produzidos por Almir Chediack. Em 2008, lançou o terceiro disco intitulado “Até Sangrar” pela Biscoito Fino, que lhe rendeu a premiação de melhor da cantora da MPB. Este trabalho, tem a participação de amigos e admiradores entre eles, Alcione, Emílio Santiago e Francis Hime. .
Áurea nos deu a honra de se apresentar no aniversário de dez anos do Jornal Capital Cultural, no último mês de março, onde brindou a todos cantando algumas canções, entre elas, por uma solicitação do jornal, as canções “Rio Antigo” e “Mais que nunca é preciso cantar”. Falar o que de Áurea Martins, Falar o que sobre Áurea Martins? Melhor, não é falar sobre Áurea, mas sim inesgotávelmente ouvir Aurea Martins.
Querida amiga, saiba que todos nós estamos torcendo por você e desejando que continue cantando e nos encantando por muitos e muitos anos. Parabéns, sorte na vida e juízo menina!

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domingo, 23 de maio de 2010

Na contramão da fábrica de entretenimento Estado abre a torneira para a cultura

Cultura é muito mais que a realização de um amontoado de shows patrocinados por Cias de telefones, supermercados ou instituições bancárias na Orla da Zona Sul. Também não podemos associar à cultura uma maratona de shows espalhados pelos quatro cantos da cidade com apoio e patrocínio de emissoras de comunicação. Cultura deve deixar um legado, e qual os benefícios tem nos deixado essa febre de entretenimento?
Buscando pegar a contramão dessa febre consumista, que serve apenas para artistas renomados engordarem suas contas bancária, empresas e instituições firmarem suas marcas junto à sociedade e faturarem ainda mais e pessoas se auto-promoverem, e ficarem bem na fita, a Secretaria de Cultura do Estado, através da Secretaria da pasta, Adriana Rattes deu no último dia 15 de abril, um exemplo de como se deve fazer investimento na produção cultural da cidade. Uma clara mostra de como o dinheiro público, que vem do público deve ser investido nas manifestações culturais.
Com inscrições se iniciando no próximo dia 15 de maio, o Estado lançou um pacote com 27 editais que chegam ao montante de R$ 21 milhões que contemplará projetos a serem realizados esse ano e em todo período de 2011. Desse total, R$ 5 milhões faz parte do Programa Mais Cultura, em parceria com o Ministério da Cultura. O projeto contempla várias áreas da produção cultural, dentre elas, bibliotecas comunitárias, pontos de leitura, brinquedotecas, agentes de leitura, sambistas, músicos, promoção do samba mirim, restauradores, pesquisadores, apoio e dinamização, e preservação de museus, montagem de espetáculo, exposições, bolsas pesquisa a grupos de música erudita contemporânea, incentivo para portais de arte, festivais de cinema no interior, festas populares - como folia de reis -, saraus de poesia, seminários, oficinas e outros eventos com pouca visibilidade e poucas chances de obter patrocínio das empresas.
Além do pacote anunciado, no segundo semestre, serão lançados um editais para apoio a grupos carnavalescos (blocos de rua, afoxés, clóvis, blocos mirins e bandas), um outro de apoio a micro projetos culturais, voltados para comunidades de baixa renda. Segundo a Secretaria Adriana Rattes os editais ajudam na diversificação cultural e contribuem para corrigir uma deformação.
- As leis de incentivo acabam concentrando os investimentos em poucas regiões, em poucas manifestações culturais e em produtos mais voltados para o marketing. Elas dificilmente contemplam a inovação, a experimentação, a cultura popular e o patrimônio – comentou.

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Entrevista Elisa Rosa Brandão da Silva Presidente da Associação de Moradores do Morro dos Prazeres


“Só há dois dias no ano em que nada pode ser feito: Um se chama ontem e o outro amanhã. Portanto, hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer. E, principalmente viver...”
Esta frase atribuída a Gandhi e estampada em um cartaz amarelado e envelhecido, fixado na parede da simples porém, funcional. A Associação do Morro dos Prazeres transmete exatamente a real tônica das necessidades comunitárias: as ações precisam ser feitas hoje, agora, já.
À frente desta instuição, Elisa Rosa Brandão da Silva uma mulher de 49 anos, simples, porém simpática, bem articulada e que procura se manter equilibrada; possivelmente para não mostrar fragilidade e desesperança à comunidade. Enquanto atendia aos muitos cidadões que entravam e saiam da Associação, cujo funcionamento lembra um verdadeiro quartel general, atendendendo jornalistas, moradores, telefonemas de políticos, religiosos, representantes de ONGs, estudantes e benévolos doadores. Em dias de crise, Elisa chega à Associação normalmente às 6 horas da manhã e não tem hora para sair.
Nascida em Brasília, Elisa pegou a contra-mão da história e veio para o Rio, há 19 anos e há 16 mora no Morro dos Prazeres. Mãe de 4 filhos a ex-secretária se aproximou da associação, especificamente para ajudar a organização de documentos e arquivos. Sua eficiência e capacidade exemplares, desencadeou seu lançamento, há quatro anos, à presidência da entidade. Ela não esconde que esse é um dos momentos mais delicados de sua vida, pois a dor que presencia, é a dor diária de seus amigos e entes queridos. Este fato exige que Elisa, seja ainda mais forte para não desmoronar:
“...é diferente de vocês que sabem da tragédia pelos meios de comunicação ou que vem aqui buscar informações e depois retornam para suas casas. A dor com a qual convivo e que presencio é a dor de pessoas amigas, de pessoas queridas com as quais estou ligada todos os dias. Pessoas que vi nascer e pessoas mais idosas que me acolheram aqui quando cheguei. Não posso negar que tenho sofrido muito com tanta tragédia e tantos acontecimentos ruins, mas temos que ir adiante. Foi-me confiada essa missão e vou cumpri-la.”



Capital Cultural – Passada a tempestade, o que mais os atormenta neste momento? Ao que parece, é esse desejo do Prefeito em transferir os habitantes do Morro dos Prazeres para o antigo prédio da Frei Caneca, onde serão construídos apartamentos de dois quartos. Como vocês encaram esta possibilidade?
Eloisa - Esta discussão envolve muitas questões, primeiro é saber se os moradores, aqueles que não moram em área de risco, desejam se mudar. Pelo que observo em seus comportamentos, muita gente não deseja sair daqui. De fato, é inconcebível querer tirar as pessoas cujas casas não correm qualquer tipo de risco. Em relação às pessoas que estão em área de risco, estas sim, entendem a gravidade do problema e ai não se trata de querer ou não sair, elas sabem que terão que sair. Em toda esta discussão o que precisa ficar claro, é que apenas uma pequena parcela dos moradores encontram-se em áreas de risco. Não há razão para se querer remover todos, isso não faz nenhum sentido. A remoção é uma porposta absurda, e desumana.

Capital Cultural – Você, enquanto presidente da associação, foi comunicada do desejo do prefeito Eduardo Paes em realizar estas remoções?
Elisa – Não fui comunicada por ninguém. No dia da tragédia ainda estávamos aqui tentando descobrir quantas pessoas haviam desaparecido e quantas pessoas perderam suas casas, quando o boato de que toda comunidade seria removida começou. O prefeito Eduardo Paes não deu uma notícia, não deu uma informação, ele mandou um recado pelos meios de comunicação. Para se ter uma idéia de sua insensibilidade, sequer apareceu aqui no Morro para prestar solidariedade aos moradores e às vitimas da chuva.

Capital Cultural – Pelo que se constata, há um comentário entre os habitantes que preocupa e assusta. Muitos na comunidade estão convencidos de que remoção é sinônimo de exploração imobiliária. Você acredita mesmo que possa haver pessoas interessadas na desocupação para que o Morro dos Prazeres se transforme em área de lazer e um local para a visitação de turistas?
Eloisa – Não sei... Onde há fumaça há fogo e ninguém inventaria um boato destes, mas a verdade é que na comunidade o assunto vem sendo cada vez comentado, e com isto, obviamente a desconfiança aumenta. Enquanto presidente da associação prefiro não me manifestar sobre este assunto, porque ele é muito complexo. Mas, enquanto moradora e pessoa que ama este lugar tenho que admitir uma coisa: o Morro dos Prazeres é um filé mingnon. Além de bem localizado, por estar próximo à cidade e ter saída tanto para o Centro, Zona Norte e Zona Sul, tem uma visão da cidade encantadora. Ver a cidade daqui é algo para privilegiados. Se olharmos do ponto de vista da exploração imobiliária, seria um local ideal para os turistas ou mesmo para fazer um mirante, como se comenta no morro.

Capital Cultural – Na surdina e de forma muito discreta, os moradores comentam também que há um temor nesta transferência para os prédios que serão construídos na Frei Caneca, em decorrência daquela área ser dominada por outra facção. Há alguma verdade nisto?
Eloisa – Todo mundo sabe e está estampado todos os dias nos jornais que a cidade é divida em facções. Pelo que me informaram, aquela área da Frei Caneca é dominada pela ADA (Amigos dos Amigos) e pelo Terceiro Comando, que são inimigos do Comando Vermelho. Todos também sabem que muitas das comunidades de Santa Teresa são dominadas pelo Comando Vermelho e, se tivermos que mudar para lá, de fato, ficaremos expostos. Seremos sempre tratados como “alemães”.

Capital Cultural – O que pode acontecer se estas mudanças forem de fato efetuadas?
Eloisa – Quem sabe? Somos taxados como inimigos. A vida numa comunidade não é tão romântica e não tem nada haver com as comunidades cinematográficas e construídas milimetricamente que aparecem na televisão. A vida numa comunidade é dura, uma realidade bem pior que muita gente possa imaginar.

Capital Cultural – Mas a segurança das pessoas deveria ser controlada pelo poder público?
Eloisa – Essa visão é romântica e irreal. Muita coisa deveria ser assumida pelo poder público como transporte, educação, saúde, mas não é isso que acontece. Não sejamos inocentes e ingênuos, se Michael Jackson, que era um astro internacional teve que negociar e pagar pedágio para os donos do morro para realizar filmagens, é porque no morro as coisas são mais complicadas. No morro, em muitos momentos é um verdadeiro vale tudo.

Capital Cultural – A classe média idolatra as favelas, referenciam o morro e sabemos de alguns casos de meninas e meninos de classe média, que rompem com a família para passar uns tempos no morro. Em uma situação de tragédia como essa, estes meninos aparecem para prestar solidariedade?
Eloisa - Falando muito francamente classe média e favelado são águas que não se misturam. São realidades diferentes, com formação diferente. Essa história de referenciar o morro, de idolatrar o morro é conversa para quem faz uma visitinha, vem passar uma temporada no morro como você bem colocou. A vida aqui é dura, é difícil e a classe média não está acostumada a dificuldades. Se apareceu alguém da classe média, sim alguns meninos estudantes de universidades até vieram, se mostraram solidários e somos gratos por esse carinho. Observo estes meninos é sempre falo comigo mesma: Favela não é um lugar romântico e muito menos para se fazer piquenique.

Capital Cultural – Nesses momentos aparecem muitos benfeitores e pessoas cheias de discursos. Com quem é pior conviver, com evangélicos ou políticos?
Eloisa – Os políticos representam a pior classe para você conviver e ter que suportar. Os caras ganham para isto, são remunerados para isto e, aparecem aqui cheios de assessores para mostrar solidariedade com a tragédia alheia. É um absurdo, mas ganham para serem solidários. Tentam fazer num momento de desespero o que não fazem durante todo um mandato. Eles deveriam ter vergonha e perceber que a condição de vida que nos é imposta nos morros, vivendo à margem de direitos básicos, já é em si uma tragédia. É claro que existem aqueles políticos que não são solidários de ocasião e sempre aparecem e demonstram interesse nos problemas que enfrentamos, mas a maioria é oportunismo puro.

Capital Cultural – Obviamente a chuva não pode ser culpada pela tragédia que aconteceu aqui no Morro dos Prazeres. A quem podemos culpar?
Eloisa – A culpada de tudo isso é a irresponsabilidade tanto da Prefeitura, quando de alguns moradores que fizeram casas sem estrutura, em lugares indevidos. As pessoas não podem comprar uma geladeira, um colchão, uma cama nova e colocar os utensílios velhos em qualquer lugar. Tem que descer com isto, encontrar um lugar que não se transforme em perigo para a própria comunidade. Não adianta os órgãos de a Prefeitura demonstrar perplexidade e espanto, pois há dez anos eles concederam um laudo que existe desde o início do Projeto Favela Bairro, dando legalidade a estas casas. Não podemos querer tirar as responsabilidades que cabem a cada um. A questão é a seguinte, se as casas são ilegais qual a razão do BIRD – Banco Internacional de Desenvolvimento-, em parceria com a Prefeitura ter liberado o dinheiro para a reestruturação da comunidade, se há dez anos existeeste laudo como podem querer interditar agora? - Não discuto e nem falo aqui de um Prefeito ou de outro, falo da estrutura governamental. Falta coerência, inteligência, zelo e preocupação para com a cidade e principalmente para com as comunidades. Enquanto estas pessoas governarem preocupadas em se perpetuarem no poder, estaremos sujeitos a essas coisas, porque tudo o que fazem não é pensando na população, na sociedade, mas sim no voto, nas próximas eleições, em sua perpetuação.

Capital Cultural – Quando começou a ocupação do Morro dos Prazeres?
Eloisa - O registro da associação é de 1968, mas os primeiros moradores chegaram aqui a mais de 60 anos. A comunidade já esta em sua quinta ou sexta geração. É bom que as coisas não sejam confundidas como querem algumas autoridades e alguns meios de comunicação. Ocupação não representa invasão. Somos moradores e não invasores. Não podem dizer que moramos aqui, nos fixamos aqui porque usurpamos alguma coisa de alguém. Moramos aqui com autorização, o conhecimento e o reconhecimento da prefeitura e do Governo do Estado. Em muitos momentos a coisa é colocada como se as pessoas que moram nas comunidades são pessoas irresponsáveis, marginais e invasoras de propriedade alheia. Os meios de comunicação precisam ouvir nossas autoridades, mas não podem se esquecer que nós também temos nossa versão para os fatos.

Capital Cultural - Mas o Moro dos Prazeres, principalmente nesses dez últimos anos, acabou incentivando outras ocupações em toda essa área...
Eloisa – Não sei se exatamente nos últimos dez anos, ou se um pouco antes, mas a verdade é outras comunidades surgiram em torno do Morro dos Prazeres. Insisto apenas num ponto: estas comunidades surgiram com o conhecimento e a autorização de nossos governantes. As pessoas precisam morar, precisam de uma casa, de uma lar e como a vida esta difícil procuram as comunidades. Tem que se acabar com essa distorção de que lar é só casa de pessoas ricas e de classe média. Aqui também constituímos famílias, somos pessoas trabalhadoras e que colaboram com o sistema de arrecadação desta cidade e deste Estado. Não podem nos tratar como se fossemos marginais. Tudo o que queremos é sermos respeitados. Se o poder público não zela pelas comunidades mais carentes sempre estaremos sujeitos a esse tipo de tragédia. Enquanto cidadãos temos direito a transportes decentes, escolas no bairro, sistema de saúde, mas nada disso é levado a sério. As comunidades só aparecem quando existe tragédia e quando nossos governantes fazem destas peças de publicidade para dizer que estão governando bem. A maior contradição disto tudo, é que o Morro dos Prazeres já foi usado como uma peça publicitária e tratado no projeto Favela-bairro, como uma comunidade exemplo.

Capital Cultural – E o futuro?
Eloisa – Temos que lutar agora. Primeiro por todas as pessoas atingidas, depois contra esta tentativa de remoção. Diria a você o seguinte: Nosso futuro é agora. O futuro a Deus pertence...

Capital Cultural – Como naquela frase do Gandhi que esta ali dizendo que o momento é agora?
Eloisa – Até tinha me esquecido desta frase, mas é exatamente isto. Nossa dor e nossa preocupação são com o agora. Nossa batalha é agora.

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