quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O bêbado nosso de cada dia...


Bêbados esse time de gente chata,
inconveniente e formada por todos nós

Os denominados “bêbados pegajosos” são apontados como os mais chatos, inconvinientes e indesejáveis. Já os denominados ‘bêbados travados’ - aqueles que combinam alcool e cocaína - são os que mais decpcionam, pois em condições normais,são pessoas doces, amigas e amáveis, mas quando combinam cocaína e alcool, mal conseguem falar.


Conversando com os entrevistados e outras pessoas que trabalham na noite,

chegamos a doze tipos de bêbados mais comuns:


Bêbado Pegajoso – É aquele que precisa falar e ao mesmo tempo segurar, abraçar e ficar falando próximo ao ouvido. É uma das espécies mais indesejada, pois fica extremamente chato e aluga permanentemente quem esta por perto. Normalmente não faltam cusparadas em todas as direções.
Bêbado Travado - Ler matéria abaixo "Doces, amáveis e travados".

Bêbado Maria Juana – São aqueles que combinam álcool com maconha e normalmente são incapazes de falar muita coisa. Ficam com cara de chapadões e os diálogos se resumem ao “Ah... Ah...”; “Podes Crer...”Tô ligado” e “Legal”...

Bêbado Melancólico – Aquele que depois que toma todas fica reclamando da vida, do trabalho, dos amigos, da esposa, dos filhos. Tudo que fala é só para reclamar.

Bêbado Chorão – Não sabe exatamente a razão que chora, mas depois que fica doidão abre o bueiro. Pode chorar por coisas ruins e mesmo por coisas boas que tenham acontecido em sua vida, mas o negócio é chorar.

Bêbado Gostosão – Esse tipo é um dos mais perigosos principalmente em lugares com muita gente, pois depois que enche o pote, se acha todo poderoso e que pode “pegar” todas as mulheres. Fica extremamente exibido, conta piadinhas de mau gosto e acredita ser tão absoluto que sequer respeita se a mulher não esta correspondendo ou se está acompanhada. Muitas confusões acontecem em decorrência desse tipo de bêbado.

Bêbadas Sem Noção – São aquelas mulheres que depois que bebem, perdem a noção de tudo e mesmo estando acompanhadas, dão mole para todo mundo e são responsáveis por algumas confusões Também é comum não darem mole para ninguém, mas ficarem em frente ao palco cantando e dançando sozinhas se esquecendo que chegaram acompanhadas de maridos, amigos.

Bêbado Brigão – É um dos piores que existe, pois depois que toma todas fica violento, raivoso, agressivo e por qualquer motivo que sair no tapa não medindo consequências

Bêbado Cauteloso – É aquele que quando percebe que já ultrapassou os limites sai de fininho, sem ninguém perceber. Quando se procura por ele já está em casa dormindo há muito tempo.

Bêbado Dorminhoco – É um tipo desagradável, pois na maioria das vezes dorme onde quer que esteja: na mesa do bar, no banheiro e mesmo sentado nas escadas. Dá trabalho para ser acordado. O bar fecha, todos querem ir embora e o sujeito continua lá dormindo feito um anjo.

Bêbado Acadêmico – É o que animado por umas doses a mais se acha o sábio. Pensa dominar todos os assuntos e em alguns casos fala coisas absolutamente incoerentes e sem sentido.

Bêbado Aminésia – Aqueles que aprontam todas conseguem assumir vários estádios de um bêbado passando pelo bêbado brigão, o gostosão e o pegajoso e no dia seguinte não se lembram de rigorosamente nada.

Bêbado Complexado – Quando bebe manifesta todos os traumas e complexo de inferioridade. Normalmente fica tímido, fala pouco, se sente sem ambiente e logo vai embora achando tudo aquilo um saco

Bêbado Solidário – Também chamado de Bêbado Bolsa Família – Esse quer ajudar todo mundo, chora com as injustiças sociais, fica deprimido com pessoas dormindo nas ruas e em alguns casos é capas de dar todo dinheiro que tem para os menos favorecidos.

Travados, doces, amaveis e travados

Preferindo não se identificar para não criar uma área de constrangimento, a maioria dos entrevistados aponta para um lugar comum: O pior bêbado é a aquele sujeito que dá um teco (cheira cocaína) e toma todas.
Para as pessoas que trabalham na noite esse é o tipo de bêbado mais insuportável, pois seu corpo já não obedece aos seus comandos em razão do excesso de álcool, mas sua cabeça raciocina de forma lúcida em razão do efeito da cocaína. Para um dos entrevistados a coisa funciona da seguinte maneira:
- O que sinto é que os corpos dessas pessoas já não obedecem em razão da quantidade de álcool que consumiram, mas pelo fato de terem cheirado, elas raciocinam com lógica e lucidez. Dessa combinação de cocaína e álcool temos um quadro curioso, pois embora raciocinando com lucidez, a voz fica truncada, travada e há uma grande dificuldade de falar. Os caras ficam cheios de cacoete, contorcem a boca e você acaba não entendendo nada do que falam. São pessoas que estão fisicamente bêbadas mas com a consciência trabalhando normalmente.
A queixa contra essa combinação de álcool e cocaína se repete em alguns outros depoimentos. Para um outro empresário, que inclusive já cheirou, sem entretanto se tornar dependente, e que autorizou que seu depoimento fosse citado desde que ele não fosse identificado, não faz nenhum sentido o cara cheirar e depois encher o pote:
- Minhas experiências com álcool e cocaína não foram nada agradáveis. Não dá para entender, pois se a cocaína dá uma onda legal a associação com o álcool coloca o individuo numa situação deprimente e decadente para quem olha de fora. Essa combinação deixa as pessoas totalmente desequilibradas, com dificuldade de articular, com nenhuma paciência para ouvir e o pior que algumas dessas pessoas são queridas, boas de conversa e muito amáveis. Não critico ou julgo ninguém, pois já estive nesse lugar, mas não faz nenhum sentido uma pessoa cheirar e depois tomar quatro, cinco doses de whisky ou um monte de cervejas.




Bêbados
Quem são? Onde estão? Como agem?
Quem são?
Eu, tu, ele, nós, vós, eles...
Onde estão?
Em todas as partes e lugares. Do bar mais simples, aqueles que chamamos “pé sujo”, aos restaurantes e casas de shows mais sofisticados e mais caros da cidade. Estão em toda parte, independe de cor, condição financeira ou social.
Como agem?
A resposta é extremamente difícil. Cada um age de uma maneira, e adquire
uma característica curiosa e uma personagem muitas vezes inimagináveis e até mesmo irreconhecíveis.


Nessa matéria conversamos com algumas pessoas que trabalham na noite, em espaços normalmente lotados de pessoas que curtem a noite para saber um pouco mais de saber como agem e se comportam essas pessoas que tomam umas a mais, ficam totalmente embriagadas e passam por um curioso processo de transformação. Veja a opinião de quem trabalha na noite e se você se enquadra em algum dos tipos de bebuns considerados indesejáveis.


Virginia Carvalho gerente musical do Carioca da Gema o pior tipo de bêbado é aquele que tem a necessidade de falar alto, segurando as pessoas principalmente pelo braço e, em condições normais, cospem para todos os lados: “Esse tipo de bêbado realmente é o mais indesejável. O cara primeiro tem que ficar te segurando, depois pensa que você é surdo e tem a necessidade de falar muito próximo a seu ouvido e, na maioria das vezes, costuma cuspir de uma maneira insuportável. É difícil conviver com esse tipo de bêbado”. Proprietário do Café Cultural Sacrilégio Lucas Pimentel, faz coro com Virginia e também aponta os denominados pegajosos os piores bêbados que freqüentam a noite:
- Esse é mesmo o pior tipo de bêbado. O cara mal o conhece, e já se sente cheio de intimidades. Existem algumas figuras que você nunca viu na vida, mas que ainda assim, o seguram pelo braço, falam ao seu ouvido, cospem por todos os lados e chegam inclusive a passar a mão no seu cabelo. E pior, você tem que concordar com eles em tudo que falam. Há um outro bêbado também muito inconveniente que poderíamos chamar de “bêbado matemático. É aquele cara que vem com um grupo de amigos, tomam 30 chopes e na hora de pagar a conta, para mostrar aos amigos um grande grau de organização quer argumentar que só tomou 29. Esses caras são capazes de discutir e criar confusão por um chope, mesmo com cada um dos chopes consumidos tendo sido marcados na cartela à sua frente.

Para Cláudia proprietária do Trapiche Gamboa o pior bêbado é o que faz a linha chorão: “Esses são sem dúvida os mais inconvenientes, pois ficam lamentando a vida, nos alugam, querem de todas as maneiras que sejamos solidários aos problemas que enfrentam e que os entendam de qualquer maneira. O pior de tudo, é que no próximo encontro se mostram envergonhados, pedem desculpas sem ter a exata dimensão do quanto perturbaram. Proprietária do Restaurante Sobrenatural, em Santa Teresa, espaço que de certa forma iniciou uma renovação no samba no Rio de Janeiro, no final da década de 90, Sérvula Bonfim não tem dúvidas em afirmar que o pior tipo de bêbado é o que faz a linha machão:
- Esses caras que bebem e faz a linha machão são os mais difíceis porque perdem completamente o senso e a razão. Pessoas que, lúcidas, são bacanas, educadas, mas quando tomam umas a mais ficam nervosas, raivosas, querem brigar e não escutam ninguém. É incrível o quanto ficam absolutamente irreconhecíveis. Esse para mim, é o pior tipo de bêbado.

Araken Torzeck Gerente Musical do Rio Scenarium, quando perguntado, pensou um pouco antes de responder, mas logo depois, encontra o perfil do pior bêbado que costuma freqüentar a casa: “Para mim são aqueles bêbados que poderíamos denominar de “bêbados carteiradas”, que não fizeram reservas, não querem entrar na fila, na maioria das vezes não gostam de pagar o que consumiram e quando você vai falar alguma coisa com o sujeito ele na maior cara de pau indaga; “você sabe com quem esta falando? - Você sabe quem sou eu? - Esse bêbado é muito chato, mas cito também aqueles que fazem a linha gostosão e que se acham no direito de azarar todas as mulheres independentes delas estarem acompanhadas ou não. Esse tipo de bêbado não tem limites, não respeita o espaço do outro e normalmente acaba criando situações constrangedoras”.
Issac Pinto que trabalhou como gerente do Bar Mais Será o Benedito e hoje administra o Bar do Bola Preta acha os pegajosos os piores com os quais tem que conviver: “Os caras são chatos mesmo. Seguram, falam no seu ouvido e acha que você esta à disposição deles. O pior ficam o tempo todo cutucando. Em alguns momentos o comportamento desse tipo de bêbado chega a irritar profundamente, mas você tem relevar, pois afinal de contas, são apenas bêbados”. Mesma opinião tem Marcio Pacheco do Beco do Rato:
- Esses caras com mania de ficar te segurando são mesmos os piores. Pô os caras são muito chatos, ficam cheios de intimidade, se metem em conversa que não foram convidados e confesso que é preciso muito paciência. O pior de tudo é que existem dias em que aparecem três ou quatro de uma vez. Nesses dias, meu amigo é preciso muita paciência - finaliza.
.

Leia mais...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010


Tensão na sinfonia
Letícia Pimenta


Com seu apreço pelo rigor e pela excelência, o maestro Robert Minczuk implantou uma pesada rotina de trabalho na mais importante orquestra carioca. Além de melhorar a qualidade do conjunto, ele despertou a fúria dos músicos, com quem vive em permanente estado de guerra



Um simples convite para o Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão, o maior evento de música clássica da América Latina, provocou recentemente um motim na Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB). Inconformados com as condições da apresentação, marcada para sexta 9, os músicos exigiam seu cancelamento. Estavam tão contrariados que enviaram uma carta ao conselho curador da instituição, formalizando o pedido e reclamando acintosamente da hospedagem na cidade de São José dos Campos, a 90 quilômetros do concerto. No texto da correspondência, a insatisfação se concentrava nos deslocamentos que seriam feitos e em como os trajetos deixariam todos exaustos. Nas entrelinhas, havia algo mais. A decisão de registrar a queixa foi um importante capítulo na queda de braço travada entre os instrumentistas e o paulista Roberto Minczuk, que há cinco anos comanda o processo de reestruturação do conjunto. Cansados do seu estilo linha-dura, de sua filosofia militar, das horas e horas de ensaios, os artistas tentaram uma manobra para constranger e enfraquecer o regente a poucos dias do término de seu contrato, que se encerra no fim do mês. Em vão. Encantado com seu desempenho, o conselho manteve o espetáculo na cidade paulista, em um claro respaldo à posição do maestro. E mais: já decidiu que vai renovar seu compromisso até 2015. Mas a tensão entre o dono da batuta e seus subordinados não deve diminuir por causa desse episódio. Ao contrário. Vai permanecer aguda até que um dos lados resolva ceder, um cenário improvável no momento. “Vou transformar esta orquestra em referência internacional até a Olimpíada”, planeja Minczuk, 43 anos. “Não pretendo desistir antes disso.”

Injetar ânimo novo em uma estrutura decadente, minada pelo comodismo, é provavelmente um dos desafios mais complexos em termos de liderança, seja em uma sinfônica, seja em uma empresa, seja em uma redação de revista. A resistência às mudanças é natural, uma reação instintiva por parte de quem se acostumou a viver em uma zona de conforto. O roteiro dessa ópera é conhecido. Um belo dia, alguém novo, em geral com um histórico completamente diferente do daqueles que ali estavam, chega e diz que tudo o que era feito antes precisa ser transformado. Os objetivos agora são outros. Os critérios de avaliação também. Quem antes estava por cima passa a ter de provar novamente o seu valor, e, nessa trajetória, alguns são mandados embora. Por tudo isso, é compreensível que o organismo afetado procure rejeitar, com todas as suas forças, esse “invasor”. Encarado como um forasteiro, Minczuk encarna esse papel à perfeição. Desde que assumiu a orquestra, em agosto de 2005, já enfrentou sucessivas rebeliões e demonstrações explícitas de desapreço. É acusado de instaurar um regime marcial, com uma rotina de longos ensaios e um altíssimo grau de exigência técnica. Dependendo do ponto de vista, poderia ser até admirado por tais características. Os músicos, no entanto, não estão nada felizes com o ritmo adotado. Eles reclamam da redução nas folgas e de tendinite. Dizem que ele é ríspido no trato e pouco sensível aos desejos do conjunto. Resumo da ópera: um déspota sem coração. “Ele é inacessível, mal escuta o que temos a dizer”, ataca um instrumentista que pediu para não ser identificado.

Matéria retirada do site da revista Veja rio: http://vejabrasil.abril.com.br/rio-de-janeiro/editorial/m1961

Leia mais...

Sujou para os sujeiras.


Ficha Limpa
Sujou para os "Sujeiras"

Para compositores políticos
oportunistas precisam "sambar"

Havia um tempo em que futebol e principalmente a seleção brasileira serviam como uma cortina de fumaça para apagar os muitos problemas enfrentados pela sociedade brasileira. Não por acaso que, inspirado pela frase “a religião é o ópio do povo”, criou-se no Brasil a máxima “o futebol é o ópio do povo”.
Mas os tempos são outros; literalmente mudaram. Mudaram tanto que – acreditem se quiser –, em meio a uma Copa do Mundo, o TSE – Tribunal Superior Eleitoral –, atendendo a uma ação popular com 2 milhões de assinaturas, aprovou o projeto de lei “Ficha Limpa”. Um iniciativa séria, que pretende dar um cartão vermelho a políticos espertalhões, que só jogam em benefício próprio e armam de todas as maneiras para ludibriar o grande árbitro deste embate, que são os eleitores.
Samba e futebol sempre tiveram tudo a ver e, em razão disso, entrevistamos personalidades do samba para saber o que pensavam sobre a limpeza que se pretende instituir na política. Nomes importantes do universo do samba gostaram e até vibram com a ideia de se criar mecanismos para limpar o cenário político nacional de seus maus atores. Nelson Sargento, Toninho Geraes, Moacyr Luz, Monarco, Wilson das Neves, Richard e Dudu Nobre falaram sobre o assunto.
Embora a matéria tenha sido feita enquanto a jabulani rolava no Mundial da África do Sul, nossos compositores mostraram que estão ligados na política e aprovaram integralmente a proposta de jogar para escanteio essa gente que só pensa em desviar verbas públicas, comprar votos, apresentar contas que não batem. Nossos compositores e grandes bambas acham que chegou a hora dessa gente sambar.
Nelson Sargento, que trava uma luta árdua em favor da aposentaria dos compositores, considera o Projeto muito oportuno e justo: “Se é para limpar, temos que limpar. Não podemos mais conviver com tanta sujeira. Agora, quem tem a capacidade de fazer essa limpeza é o povo, votando de forma correta. Não adianta tanto trabalho, tanto sacrifício e ficarmos reclamando se, na hora de votar, depositarmos confiança nessas mesmas pessoas envolvidas em escândalos de toda natureza. Esta é a oportunidade que temos de fazer uma limpeza geral. A hora é essa”. O compositor Wilson das Neves que, ao lado de Paulinho Pinheiro, é autor do samba “No dia em que o morro descer”, que fala exatamente das desigualdades sociais existentes no país, comemora a decisão do TSE em cassar os políticos “fichas sujas”:
– Isso já deveria ter acontecido há 20 anos, ou melhor, essa sujeira na política nunca deveria ter acontecido. É preciso mesmo passar um pouco esse país a limpo. Não podemos conviver com a desonestidade de pessoas que foram eleitas pelo voto, com a promessa de representar o povo, mas que, quando são eleitas agem sem nenhum compromisso, armam todos os tipos de maracutaias possíveis, confiando na impunidade. Sou totalmente favorável e acho que agora o povo tem que fazer sua parte. Não dá mais para termos como representantes pessoas sem nenhum compromisso, sem nenhuma índole ou escrúpulo. Pessoas que só pensam em levar vantagem. O TSE está fazendo sua parte. Nós, enquanto sociedade, temos que saber fazer a nossa e alijar da política essas figuras. Merecemos políticos melhores e mais íntegros – acrescenta.
O compositor portelense Monarco também acha necessária e oportuna a decisão do Tribunal Superior Eleitoral em cassar as pessoas que fizeram da política um campo fértil para a sujeira: “Agora está nas mãos do povo escolher entre o que presta e o que não presta, entre o joio e o trigo. A lei está fazendo sua parte e temos que fazer a nossa. O que não podemos mais é termos pessoas que usam a política apenas em beneficio próprio e pensando em seus interesses pessoais”. O intérprete Richard, voz de muitos carnavais e que esse ano puxou o samba da Mangueira na Marques de Sapucaí, diz que seu apoio é total e irrestrito à decisão de se cassar os políticos que, de forma descarada e sem nenhum princípio, traem a confiança do povo:
– É a coisa mais justa que poderia acontecer. Chega de corrupção, de mutretagem, de cambalachos feitos à revelia do povo. Penso que todas as pessoas públicas, que vivem do público e responsáveis pelo que é público deveriam ser mais responsabilizadas por seus deslizes. Nosso voto é de certa forma nossa esperança de um país melhor e, se alguém trai nossa confiança, trai nosso voto, tem mesmo que pagar por isso. Vou além: quando esse alguém se deixa envolver em corrupção e falcatruas, deveria ser punido de forma exemplar para que outros não voltassem a cometer o mesmo erro. Acho pouco apenas perder o direito de concorrer; a punição teria que ser muito mais criteriosa.
Dudu Nobre é outro que acha que essa coisa de punir políticos desonestos demorou muito a acontecer e que cabe agora ao povo eliminar os que só pensam em “armar” para se dar bem: “Isso demorou muito a acontecer. É inconcebível que pessoas desonestas e que pensam apenas em se dar bem continuem na política agindo em nome do povo. É muito importante essa decisão do TSE. Agora está em nossas mãos: enquanto cidadãos e eleitores, temos que fazer nossa parte e ajudar nessa limpeza”. Sempre preocupado com os problemas sociais, Moacyr Luz diz que chega a causar perplexidade se criar uma lei para barrar pessoas desonestas no universo da política:
– Acho a lei fundamental, muito importante, mas fico perplexo e sem entender o fato da sociedade ter que se unir, recolher milhões de assinaturas para criar uma lei para nos livrarmos de pessoas desonestas. Se o cara é desonesto não pode ser político, não pode agir em nome do povo. Penso que a criação dessa lei é o mínimo, nós enquanto sociedade temos que ficar atentos e eliminarmos definitivamente essa gentalha. Desonestidade não cabe na política, na música ou em qualquer lugar de nossa sociedade.
O compositor Toninho Geraes, autor de grandes sambas, dentre eles “Uma Prova de Amor” e “Já Tive Mulheres”, sucessos na voz de Zeca Pagodinho e Martinho da Vila respectivamente, é outro que se mostra atento às discussões políticas e diz aprovar totalmente a iniciativa de criar mecanismos para punir a desonestidade na política:
– Essa coisa de política e desonestidade vem de longe e é fruto dessas oligarquias, dessas pessoas que se acham donas de tudo, que pensam que têm o direito de corromper a tudo e a todos. Antes, isso só acontecia nos grotões, mas de uns anos para cá tomou conta das grandes capitais através do populismo, de diversas formas de corrupção e essa medida de cassar os fichas-sujas é altamente positiva para o país. No fundo, acho muito pouco essas pessoas apenas perderem o direito de concorrerem, mas não posso negar que se trata de um avanço. Penso que estamos num processo de evolução e, com o tempo, vamos acabar banindo esses políticos corruptos que não servem à política.

Leia mais...

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Interferência Urbanas à Revelia do Povo


Não se trata saber se o fechamento e a transformação da Avenida Rio Branco em grande boulevard será uma medida boa ou má, útil ou inútil. O questionamento necessário é: por que uma proposta destas antes de ser tirada da prancheta dos sábios engenheiros, arquitetos ou urbanistas não são discutidas com a sociedade?
Reza a lenda, que um prefeito foi eleito pelo povo e para governar para o povo e com o povo e por isto, não justifica este mesmo povo saber das transformações que acontecerão na cidade e, conseqüentemente, em suas vidas, apenas através dos noticiários dos jornais. Não pode-se governar de maneira unilateral: o prefeito decidiu e pronto e ponto, assim será.
Uma cidade não pode estar sujeita ao bom ou mau humor de um prefeito ou ao desejo insano de seus secretários ou colaboradores, muitas das vezes, visionários que apresentam projetos mirabolantes do que imaginam ser melhor para a cidade. A Avenida Rio Branco que será fechada experimentalmente no próximo dia 26 é apenas um exemplo. Pode ser algo absolutamente favorável ou não.
No caso especifico deste novo delírio, se algo não der certo, é possível voltar atrás, reabrir a avenida e tudo fica como antes como se nada tivesse acontecido.
Mas nem sempre o bom senso impera. A cidade, a sociedade tem pago um preço alto – em todos os sentidos - com estas atitudes tomadas à revelia por nossos representantes.
Os mais velhos, ainda se lembram e lamentam profundamente a destruição do Palácio Monroe, em 1975, pelo então presidente Ernesto Gisel. Mas este cidadão era presidente durante um período ditatorial e um “prediozinho qualquer” não poderia interferir – leia-se impedir - a modernização que o metrô representaria para a cidade. O infeliz do palácio estava no caminho do metrô então não há o que se discutir ou questionar: levaram o prédio ao chão.
Mas a ditadura acabou, fomos às urnas e tivemos direito ao voto. Mas democracia não é sinônimo de harmonia com o desejo do povo. Esta deficiência de captar o desejo da sociedade pode ser observada no desejo nsano do Exmo. Prefeito César Maia em construir, primeiro o Museu Guggenheim e posteriormente fazer as obras na Marina da Glória.
Quanto ao palácio Monroe, não houve opção: foi ao chão uma das mais belas obras da arquitetura da cidade, um crime contra o patrimônio histórico. O famigerado projeto do Museu Guggenheim - muito mais um delírio de dois ou três – a sociedade se organizou, disse não e os projetos não saíram do papel; desfecho parecido foi os das obras da Maria da Glória, que a sociedade também disse não, se organizou e impediu que acontecesse. Os jogos pré-olímpicos, que eram o pretexto para tal obra passou, não trouxe rigorosamente nada de benéfico para a cidade, como alardeavam nossas autoridades, mas o esqueleto da famigerada obra da Marina continua lá, testemunhando a falta de harmonia de nossos alcaides com o desejo do povo...
Um pouco antes disto, o prefeito Luis Paulo Conde planejou colocar no chão a Perimetral. Não se sabe por que o desejo não foi adiante. Mas Conde deixou sua marca, restaurando total e completamente a Rua do Lavradio. Ao menos algo de lúcido neste festival de insanidades.
O fechamento da Avenida Rio Branco é a polêmica que começa a tomar conta da cidade. A sociedade carioca não deve ter nada contra o Sr. Sérgio Dias, mesmo porque não sabe quem ele é. Dias é Secretário de Urbanismo do prefeito Eduardo Paes, e é ele quem comanda o denominado projeto Rio Verde e uma das primeiras medidas é exatamente o fechamento da antiga Avenida Central.
A exemplo do que aconteceu com o Museu Guggenheim o projeto é tratado a 7 chaves – esconder projetos a 7 chaves parece uma prerrogativa para se fazer intervenções na cidade. Guardando as devidas proporções, Sérgio Dias lembra muito Alfredo Sirkis (urbanismo) e Ricardo Macieiras (cultura) ex-secretários do prefeito César Maia, que, com suas pastinhas embaixo dos braços e andavam para lá e para cá, ao lado de Jean Nouveau prometendo que o Rio emergiria do Cais com o Guggenheim. Os dois apresentavam Nouveau como o maior gênio da arquitetura, parecia até que ele havia inventado a arquitetura. A sociedade não gostou da idéia, torceu o nariz para Nouveau, fez passeatas e o Guggenheim foi literalmente por água abaixo.

Leia mais...

Aurea Martins

personagem músical do mes de junho nos brinda com sua belíssima voz, durante a festa de aniversário do Jornal.
Participação Especial: Laura Brandão e Paulão Sete Cordas.



Falar o que de Áurea Martins, falar o que sobre Áurea Martins? Essa negra senhora, simples, suave, meiga, dona de uma das vozes mais belas de nossa música, que quando canta, encanta. Com seu permanente sorriso, é uma dessas pessoas que dá prazer ficar ao lado. Não por acaso é considerada pelas jovens cantoras que se apresentam na noite do Rio de Janeiro uma diva.
Áurea em 2009 merecidamente foi vencedora do Prêmio da Música Brasileira, na condição de melhor cantora pelo trabalho desenvolvido no Cd “Até sangrar”. Sua história, sua competência e seu dom de cantar e encantar vem de longe. Iniciou a carreira na década de 60, participando do concorrido programa “Tribunal de Melodias”, comandado por Mário Lago e Paulo Gracindo na Rádio Nacional-RJ. Agradou tanto em suas apresentações que foi contratada pela emissora. A responsabilidade era grande pois era comandada por Paulo Gracindo, César de Alencar e Manoel Barcelos, considerados profissionais extremamente exigentes. Na época, se apresentava ao lado de Elis Regina e Peri Ribeiro, outras duas grandes promessas que surgiam na música brasileira.
Em 1969 mais um desafio: decidiu concorrer no programa “A Grande Chance” de Flávio Cavalcanti. Programa que chegava à sua quarta edição e era um dos mais prestigiados da época. Saiu vencedora com louvor, e como premiação ganhou a gravação de um disco e uma viagem a Portugal. Levou dois anos para elaborar um disco como queria. Finalmente, em 1972, lançou “O Amor em Paz”. No repertório clássicos como: “Apelo” (Baden Powell - Vinícius de Moraes), “Fim de noite” (Chico Feitosa - Ronaldo Bôscoli), e “Atrás da porta” (Francis Hime - Chico Buarque).
Ao longo da carreiira dividiu palco com grandes nomes de nossa música dentre eles, Mílton Nascimento, Marisa Gata Mansa, Alcione, Emílio Santiago, Elza Soares, Johnny Alf, Baden Powell, Cauby Peixoto, Dona Ivone Lara, Leci Brandão, Zezé Gonzaga, Nélson Sargento, Chico Feitosa, e outros. Uma de suas maiores fãs era Elizete Cardoso que sempre que podia ia assistir suas apresentações.
Em 2004, lançou o disco “Áurea Martins”, o segundo de sua carreira. Antes disso, participou de diversos trabalhos importantes como, por exemplo, songbooks de Tom Jobim e Chico Buarque, produzidos por Almir Chediack. Em 2008, lançou o terceiro disco intitulado “Até Sangrar” pela Biscoito Fino, que lhe rendeu a premiação de melhor da cantora da MPB. Este trabalho, tem a participação de amigos e admiradores entre eles, Alcione, Emílio Santiago e Francis Hime. .
Áurea nos deu a honra de se apresentar no aniversário de dez anos do Jornal Capital Cultural, no último mês de março, onde brindou a todos cantando algumas canções, entre elas, por uma solicitação do jornal, as canções “Rio Antigo” e “Mais que nunca é preciso cantar”. Falar o que de Áurea Martins, Falar o que sobre Áurea Martins? Melhor, não é falar sobre Áurea, mas sim inesgotávelmente ouvir Aurea Martins.
Querida amiga, saiba que todos nós estamos torcendo por você e desejando que continue cantando e nos encantando por muitos e muitos anos. Parabéns, sorte na vida e juízo menina!

Leia mais...

domingo, 23 de maio de 2010

Na contramão da fábrica de entretenimento Estado abre a torneira para a cultura

Cultura é muito mais que a realização de um amontoado de shows patrocinados por Cias de telefones, supermercados ou instituições bancárias na Orla da Zona Sul. Também não podemos associar à cultura uma maratona de shows espalhados pelos quatro cantos da cidade com apoio e patrocínio de emissoras de comunicação. Cultura deve deixar um legado, e qual os benefícios tem nos deixado essa febre de entretenimento?
Buscando pegar a contramão dessa febre consumista, que serve apenas para artistas renomados engordarem suas contas bancária, empresas e instituições firmarem suas marcas junto à sociedade e faturarem ainda mais e pessoas se auto-promoverem, e ficarem bem na fita, a Secretaria de Cultura do Estado, através da Secretaria da pasta, Adriana Rattes deu no último dia 15 de abril, um exemplo de como se deve fazer investimento na produção cultural da cidade. Uma clara mostra de como o dinheiro público, que vem do público deve ser investido nas manifestações culturais.
Com inscrições se iniciando no próximo dia 15 de maio, o Estado lançou um pacote com 27 editais que chegam ao montante de R$ 21 milhões que contemplará projetos a serem realizados esse ano e em todo período de 2011. Desse total, R$ 5 milhões faz parte do Programa Mais Cultura, em parceria com o Ministério da Cultura. O projeto contempla várias áreas da produção cultural, dentre elas, bibliotecas comunitárias, pontos de leitura, brinquedotecas, agentes de leitura, sambistas, músicos, promoção do samba mirim, restauradores, pesquisadores, apoio e dinamização, e preservação de museus, montagem de espetáculo, exposições, bolsas pesquisa a grupos de música erudita contemporânea, incentivo para portais de arte, festivais de cinema no interior, festas populares - como folia de reis -, saraus de poesia, seminários, oficinas e outros eventos com pouca visibilidade e poucas chances de obter patrocínio das empresas.
Além do pacote anunciado, no segundo semestre, serão lançados um editais para apoio a grupos carnavalescos (blocos de rua, afoxés, clóvis, blocos mirins e bandas), um outro de apoio a micro projetos culturais, voltados para comunidades de baixa renda. Segundo a Secretaria Adriana Rattes os editais ajudam na diversificação cultural e contribuem para corrigir uma deformação.
- As leis de incentivo acabam concentrando os investimentos em poucas regiões, em poucas manifestações culturais e em produtos mais voltados para o marketing. Elas dificilmente contemplam a inovação, a experimentação, a cultura popular e o patrimônio – comentou.

Leia mais...

Entrevista Elisa Rosa Brandão da Silva Presidente da Associação de Moradores do Morro dos Prazeres


“Só há dois dias no ano em que nada pode ser feito: Um se chama ontem e o outro amanhã. Portanto, hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer. E, principalmente viver...”
Esta frase atribuída a Gandhi e estampada em um cartaz amarelado e envelhecido, fixado na parede da simples porém, funcional. A Associação do Morro dos Prazeres transmete exatamente a real tônica das necessidades comunitárias: as ações precisam ser feitas hoje, agora, já.
À frente desta instuição, Elisa Rosa Brandão da Silva uma mulher de 49 anos, simples, porém simpática, bem articulada e que procura se manter equilibrada; possivelmente para não mostrar fragilidade e desesperança à comunidade. Enquanto atendia aos muitos cidadões que entravam e saiam da Associação, cujo funcionamento lembra um verdadeiro quartel general, atendendendo jornalistas, moradores, telefonemas de políticos, religiosos, representantes de ONGs, estudantes e benévolos doadores. Em dias de crise, Elisa chega à Associação normalmente às 6 horas da manhã e não tem hora para sair.
Nascida em Brasília, Elisa pegou a contra-mão da história e veio para o Rio, há 19 anos e há 16 mora no Morro dos Prazeres. Mãe de 4 filhos a ex-secretária se aproximou da associação, especificamente para ajudar a organização de documentos e arquivos. Sua eficiência e capacidade exemplares, desencadeou seu lançamento, há quatro anos, à presidência da entidade. Ela não esconde que esse é um dos momentos mais delicados de sua vida, pois a dor que presencia, é a dor diária de seus amigos e entes queridos. Este fato exige que Elisa, seja ainda mais forte para não desmoronar:
“...é diferente de vocês que sabem da tragédia pelos meios de comunicação ou que vem aqui buscar informações e depois retornam para suas casas. A dor com a qual convivo e que presencio é a dor de pessoas amigas, de pessoas queridas com as quais estou ligada todos os dias. Pessoas que vi nascer e pessoas mais idosas que me acolheram aqui quando cheguei. Não posso negar que tenho sofrido muito com tanta tragédia e tantos acontecimentos ruins, mas temos que ir adiante. Foi-me confiada essa missão e vou cumpri-la.”



Capital Cultural – Passada a tempestade, o que mais os atormenta neste momento? Ao que parece, é esse desejo do Prefeito em transferir os habitantes do Morro dos Prazeres para o antigo prédio da Frei Caneca, onde serão construídos apartamentos de dois quartos. Como vocês encaram esta possibilidade?
Eloisa - Esta discussão envolve muitas questões, primeiro é saber se os moradores, aqueles que não moram em área de risco, desejam se mudar. Pelo que observo em seus comportamentos, muita gente não deseja sair daqui. De fato, é inconcebível querer tirar as pessoas cujas casas não correm qualquer tipo de risco. Em relação às pessoas que estão em área de risco, estas sim, entendem a gravidade do problema e ai não se trata de querer ou não sair, elas sabem que terão que sair. Em toda esta discussão o que precisa ficar claro, é que apenas uma pequena parcela dos moradores encontram-se em áreas de risco. Não há razão para se querer remover todos, isso não faz nenhum sentido. A remoção é uma porposta absurda, e desumana.

Capital Cultural – Você, enquanto presidente da associação, foi comunicada do desejo do prefeito Eduardo Paes em realizar estas remoções?
Elisa – Não fui comunicada por ninguém. No dia da tragédia ainda estávamos aqui tentando descobrir quantas pessoas haviam desaparecido e quantas pessoas perderam suas casas, quando o boato de que toda comunidade seria removida começou. O prefeito Eduardo Paes não deu uma notícia, não deu uma informação, ele mandou um recado pelos meios de comunicação. Para se ter uma idéia de sua insensibilidade, sequer apareceu aqui no Morro para prestar solidariedade aos moradores e às vitimas da chuva.

Capital Cultural – Pelo que se constata, há um comentário entre os habitantes que preocupa e assusta. Muitos na comunidade estão convencidos de que remoção é sinônimo de exploração imobiliária. Você acredita mesmo que possa haver pessoas interessadas na desocupação para que o Morro dos Prazeres se transforme em área de lazer e um local para a visitação de turistas?
Eloisa – Não sei... Onde há fumaça há fogo e ninguém inventaria um boato destes, mas a verdade é que na comunidade o assunto vem sendo cada vez comentado, e com isto, obviamente a desconfiança aumenta. Enquanto presidente da associação prefiro não me manifestar sobre este assunto, porque ele é muito complexo. Mas, enquanto moradora e pessoa que ama este lugar tenho que admitir uma coisa: o Morro dos Prazeres é um filé mingnon. Além de bem localizado, por estar próximo à cidade e ter saída tanto para o Centro, Zona Norte e Zona Sul, tem uma visão da cidade encantadora. Ver a cidade daqui é algo para privilegiados. Se olharmos do ponto de vista da exploração imobiliária, seria um local ideal para os turistas ou mesmo para fazer um mirante, como se comenta no morro.

Capital Cultural – Na surdina e de forma muito discreta, os moradores comentam também que há um temor nesta transferência para os prédios que serão construídos na Frei Caneca, em decorrência daquela área ser dominada por outra facção. Há alguma verdade nisto?
Eloisa – Todo mundo sabe e está estampado todos os dias nos jornais que a cidade é divida em facções. Pelo que me informaram, aquela área da Frei Caneca é dominada pela ADA (Amigos dos Amigos) e pelo Terceiro Comando, que são inimigos do Comando Vermelho. Todos também sabem que muitas das comunidades de Santa Teresa são dominadas pelo Comando Vermelho e, se tivermos que mudar para lá, de fato, ficaremos expostos. Seremos sempre tratados como “alemães”.

Capital Cultural – O que pode acontecer se estas mudanças forem de fato efetuadas?
Eloisa – Quem sabe? Somos taxados como inimigos. A vida numa comunidade não é tão romântica e não tem nada haver com as comunidades cinematográficas e construídas milimetricamente que aparecem na televisão. A vida numa comunidade é dura, uma realidade bem pior que muita gente possa imaginar.

Capital Cultural – Mas a segurança das pessoas deveria ser controlada pelo poder público?
Eloisa – Essa visão é romântica e irreal. Muita coisa deveria ser assumida pelo poder público como transporte, educação, saúde, mas não é isso que acontece. Não sejamos inocentes e ingênuos, se Michael Jackson, que era um astro internacional teve que negociar e pagar pedágio para os donos do morro para realizar filmagens, é porque no morro as coisas são mais complicadas. No morro, em muitos momentos é um verdadeiro vale tudo.

Capital Cultural – A classe média idolatra as favelas, referenciam o morro e sabemos de alguns casos de meninas e meninos de classe média, que rompem com a família para passar uns tempos no morro. Em uma situação de tragédia como essa, estes meninos aparecem para prestar solidariedade?
Eloisa - Falando muito francamente classe média e favelado são águas que não se misturam. São realidades diferentes, com formação diferente. Essa história de referenciar o morro, de idolatrar o morro é conversa para quem faz uma visitinha, vem passar uma temporada no morro como você bem colocou. A vida aqui é dura, é difícil e a classe média não está acostumada a dificuldades. Se apareceu alguém da classe média, sim alguns meninos estudantes de universidades até vieram, se mostraram solidários e somos gratos por esse carinho. Observo estes meninos é sempre falo comigo mesma: Favela não é um lugar romântico e muito menos para se fazer piquenique.

Capital Cultural – Nesses momentos aparecem muitos benfeitores e pessoas cheias de discursos. Com quem é pior conviver, com evangélicos ou políticos?
Eloisa – Os políticos representam a pior classe para você conviver e ter que suportar. Os caras ganham para isto, são remunerados para isto e, aparecem aqui cheios de assessores para mostrar solidariedade com a tragédia alheia. É um absurdo, mas ganham para serem solidários. Tentam fazer num momento de desespero o que não fazem durante todo um mandato. Eles deveriam ter vergonha e perceber que a condição de vida que nos é imposta nos morros, vivendo à margem de direitos básicos, já é em si uma tragédia. É claro que existem aqueles políticos que não são solidários de ocasião e sempre aparecem e demonstram interesse nos problemas que enfrentamos, mas a maioria é oportunismo puro.

Capital Cultural – Obviamente a chuva não pode ser culpada pela tragédia que aconteceu aqui no Morro dos Prazeres. A quem podemos culpar?
Eloisa – A culpada de tudo isso é a irresponsabilidade tanto da Prefeitura, quando de alguns moradores que fizeram casas sem estrutura, em lugares indevidos. As pessoas não podem comprar uma geladeira, um colchão, uma cama nova e colocar os utensílios velhos em qualquer lugar. Tem que descer com isto, encontrar um lugar que não se transforme em perigo para a própria comunidade. Não adianta os órgãos de a Prefeitura demonstrar perplexidade e espanto, pois há dez anos eles concederam um laudo que existe desde o início do Projeto Favela Bairro, dando legalidade a estas casas. Não podemos querer tirar as responsabilidades que cabem a cada um. A questão é a seguinte, se as casas são ilegais qual a razão do BIRD – Banco Internacional de Desenvolvimento-, em parceria com a Prefeitura ter liberado o dinheiro para a reestruturação da comunidade, se há dez anos existeeste laudo como podem querer interditar agora? - Não discuto e nem falo aqui de um Prefeito ou de outro, falo da estrutura governamental. Falta coerência, inteligência, zelo e preocupação para com a cidade e principalmente para com as comunidades. Enquanto estas pessoas governarem preocupadas em se perpetuarem no poder, estaremos sujeitos a essas coisas, porque tudo o que fazem não é pensando na população, na sociedade, mas sim no voto, nas próximas eleições, em sua perpetuação.

Capital Cultural – Quando começou a ocupação do Morro dos Prazeres?
Eloisa - O registro da associação é de 1968, mas os primeiros moradores chegaram aqui a mais de 60 anos. A comunidade já esta em sua quinta ou sexta geração. É bom que as coisas não sejam confundidas como querem algumas autoridades e alguns meios de comunicação. Ocupação não representa invasão. Somos moradores e não invasores. Não podem dizer que moramos aqui, nos fixamos aqui porque usurpamos alguma coisa de alguém. Moramos aqui com autorização, o conhecimento e o reconhecimento da prefeitura e do Governo do Estado. Em muitos momentos a coisa é colocada como se as pessoas que moram nas comunidades são pessoas irresponsáveis, marginais e invasoras de propriedade alheia. Os meios de comunicação precisam ouvir nossas autoridades, mas não podem se esquecer que nós também temos nossa versão para os fatos.

Capital Cultural - Mas o Moro dos Prazeres, principalmente nesses dez últimos anos, acabou incentivando outras ocupações em toda essa área...
Eloisa – Não sei se exatamente nos últimos dez anos, ou se um pouco antes, mas a verdade é outras comunidades surgiram em torno do Morro dos Prazeres. Insisto apenas num ponto: estas comunidades surgiram com o conhecimento e a autorização de nossos governantes. As pessoas precisam morar, precisam de uma casa, de uma lar e como a vida esta difícil procuram as comunidades. Tem que se acabar com essa distorção de que lar é só casa de pessoas ricas e de classe média. Aqui também constituímos famílias, somos pessoas trabalhadoras e que colaboram com o sistema de arrecadação desta cidade e deste Estado. Não podem nos tratar como se fossemos marginais. Tudo o que queremos é sermos respeitados. Se o poder público não zela pelas comunidades mais carentes sempre estaremos sujeitos a esse tipo de tragédia. Enquanto cidadãos temos direito a transportes decentes, escolas no bairro, sistema de saúde, mas nada disso é levado a sério. As comunidades só aparecem quando existe tragédia e quando nossos governantes fazem destas peças de publicidade para dizer que estão governando bem. A maior contradição disto tudo, é que o Morro dos Prazeres já foi usado como uma peça publicitária e tratado no projeto Favela-bairro, como uma comunidade exemplo.

Capital Cultural – E o futuro?
Eloisa – Temos que lutar agora. Primeiro por todas as pessoas atingidas, depois contra esta tentativa de remoção. Diria a você o seguinte: Nosso futuro é agora. O futuro a Deus pertence...

Capital Cultural – Como naquela frase do Gandhi que esta ali dizendo que o momento é agora?
Eloisa – Até tinha me esquecido desta frase, mas é exatamente isto. Nossa dor e nossa preocupação são com o agora. Nossa batalha é agora.

Leia mais...

domingo, 7 de março de 2010

Melhores shows de 2009


Melhores shows de 2009


Há seis anos, o Jornal Capital Cultural, em formato tablóide, que circula no Centro do Rio de Janeiro, e completa dez anos em 1º de março de 2010, realiza uma eleição com os melhores shows realizados nas casas do Centro Histórico do Rio Antigo. Face à pluralidade e às diferenciadas propostas de cada uma, nosso objetivo não é escolher um melhor show dentre todas as casas, mas sim, em razão da qualidade e da quantidade existentes, optamos escolher o melhor show de cada casa, separadamente.
A exemplo dos anos anteriores, a eleição dos melhores shows de 2009 foi feita por um corpo de jurados especialíssimo, acima de questionamento e de qualquer suspeita. O júri foi composto por pessoas que trabalham durante o ano inteiro em cada um desses estabelecimentos e que puderam assistir a todas as apresentações. Votaram proprietários, gerentes, iluminadores, garçons, produtores culturais, faxineiros, seguranças e todas as pessoas que, cotidianamente, estão ligadas a esses locais. No total, foram quase 300 votos para uma escolha realizada em 15 casas.

Melhores shows de2009

Bar da Ladeira
Nina Wirtz

Memórias do Rio
Batuque de Crioulo

Carioca da Gema
Ana Costa e Luiza Dionizio

Circo Voador
Céu


Fundição
O Rappa

Mangue Seco
De Frente para o Samba


Gafieira Estudantina Musical
Moacyr Luz


Mas Será o Benedito
Paulo Moura e Roberta Espinosa (empatados)

Rio Scenarium
Dhi Ribeiro

Sacrilégio
Toque de Arte
Batuque na Cozinha

Semente da Música
Elisa Addor e Grupo Escangalha a Maçaneta

Teatro Rival
Maria Gadu

Teatro Odisséia
Empolga às 9


Trapiche Gamboa
Razões Africanas

Leia mais...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Entrevista com Rita Fernandes - Presidente da Sebastiana


Rita Fernandes - Presidente da Sebastiana

“A prefeitura tem propriedade e deve zelar pelos

espaços públicos, mas isso não quer dizer,

que ela seja a que a dona dos blocos”


O carnaval de rua do Rio de Janeiro vem passando por grandes transformações. A cada ano, os blocos se deparam com uma surpresa inesperada. Em 2010 não é diferente: os blocos estão sob a disciplina do “Choque da Ordem” do prefeito Eduardo Paes e de certa forma acuados com a força da AmBev, que fechou contrato de patrocínio com a prefeitura e tenta, de todas as maneiras, se impor sobre os blocos. Pelo que se viu até aqui nos desfiles das ruas realizados, nesse período que antecede o carnaval, a empresa que domina o mercado vem exagerando em seu marketing, impondo a cor azul da cerveja Antarctica entre os foliões. O que fazer contra essas interferências externas que podem tirar a alegria e a espontaneidade do carnaval?
Entidade mais representativa dos blocos carnavalescos do Rio, a Sebastiana –Associação Independente dos Blocos de Carnaval de Rua da Zona Sul, Santa Teresa e Centro da Cidade –, reúne os 13 dos principais blocos desses bairros. Criada em 2000, a entidade é presidida pela jornalista Rita Fernandes, que concedeu entrevista ao Jornal Capital Cultural e esclareceu pontos importantes sobre o funcionamento da agremiação. Falou também sobre a relação da entidade com a Prefeitura e com empresas que sempre se dispõem a patrocinar os blocos.
Rita é uma dessas pessoas absolutamente envolvidas e apaixonadas pelo carnaval de rua. Em 1995, foi uma das fundadoras do bloco Imprensa que eu Gamo, que desfila em Laranjeiras, mas antes disso já era frequentadora do Bloco de Segunda, Barbas e Simpatia É Quase Amor. O trabalho que vem realizando à frente da Sebastiana desde 2004, ao que tudo indica agrada, pois, embora a eleição da entidade seja anual, ela foi reeleita por seis anos consecutivos.

Capital Cultural – Obviamente, o carnaval de rua do Rio precisava ser organizado, pois a coisa caminhava para um lugar muito perigoso. Hoje, o temor de muitos são os excessos, com ordem demais e outras medidas que podem tirar a espontaneidade da festa e nos conduzir a um carnaval perigoso, feito de abadás, cordões de isolamento e coisas do gênero. Você teme que isso possa acontecer?
Rita – Este é um grande risco que o carnaval carioca corre, pois se não tivermos muita resistência e não ficarmos atentos podemos chegar a esse lugar. Seguramente, um dos maiores problemas que nosso carnaval enfrenta é o fato de muitas pessoas vislumbrarem uma possibilidade de negócio, de ganhar dinheiro e, por essa razão, pretenderem fazer do carnaval do Rio algo parecido com o carnaval da Bahia. Essa percepção é um grande erro, porque o carnaval do Rio só tem valor porque é exatamente como é. Se essa transformação acontecer, nosso carnaval fica desfigurado e perde sua espontaneidade. Quando precisamos nos preocupar com o “Choque de Ordem”, pelos excessos que poderão ser cometidos, nos desviamos de nossa principal preocupação, que é a ameaça por parte desses grupos comerciais, que tentam se impor de todas as formas. A Prefeitura, pelo menos, tem se mostrado aberta ao diálogo.

Capital Cultural – A prefeitura é a dona do espaço público, mas não é proprietária dos blocos. E, nesse contexto, surge uma contradição, pois a empresa patrocinadora se coloca nesse vácuo entre a prefeitura e os blocos e tenta ditar as regras. Essa relação é complicada, pois parece que eles estão patrocinando as agremiações e teoricamente podem fazer o que querem. Como vocês estão lidando com isso?
Rita – É bom que isso fique claro. A empresa que fez parceria com a Prefeitura não patrocina os blocos da Sebastiana. Não temos nada a ver com o que foi estabelecido entre a prefeitura e a patrocinadora e não ganhamos nada com isso. Eles patrocinam a prefeitura, o que é muito diferente. O patrocinador precisa ter consciência de que não pode agredir, não pode tentar se impor. Precisa compreender que não podem exacerbar, pois já existem espaços demais onde podem exibir sua marca. Precisa entender que o que chamam de “ativação da marca” não pode ser feita além da medida. O marketing tem que ser algo mais sutil, pois tem um efeito muito melhor. Todo mundo pode chegar ao final do carnaval e saber que a prefeitura fez um acordo com a Antarctica e que essa marca foi a patrocinadora oficial do carnaval de rua de 2010. Não é necessário que tentem impor suas cores sobre os blocos, sobre as ruas, sobre a cidade. Em se tratando dos blocos, eles não podem e não têm o direito de descaracterizar as cores das agremiações. Acho até que eles levariam mais vantagem se fizessem com que a marca aparecesse de uma forma mais discreta, menos agressiva. É preciso ficar claro que a Prefeitura é dona dos espaços públicos, mas não tem propriedade sobre os blocos.

Capital Cultural – A Prefeitura, de certa forma, tem razão em tentar organizar a festa, pois em anos anteriores o que vimos em alguns blocos foi uma falta total de civilidade. É inegável o crescimento desordenado dos blocos. Você já parou para pensar nesta questão?
Rita – Esse fenômeno dos blocos é uma caixinha de surpresas e não dá para fazer previsões em relação ao futuro. Tenho medo que o número de blocos aumente excessivamente. Colocar um bloco na rua é muito complicado, exige muita responsabilidade e seriedade. Quem coloca um bloco na rua tem responsabilidade sobre possíveis problemas que venham a ocorrer. Acho que vai chegar um momento que esse movimento de crescimento dos blocos vai se acomodar. A cidade comporta um determinado número de blocos, mas ocorre que ninguém sabe exatamente esse número. Os blocos registrados na prefeitura não correspondem à realidade. Seguramente, muitos blocos não buscam esse registro e não estão preocupados com isso. Hoje, quem faz a festa cuida apenas da espontaneidade da festa; minha preocupação nisso tudo é o surgimento de blocos com cordão de isolamento e abadás. Isso, de fato, descaracterizaria nosso carnaval e seria muito ruim. Não acredito que o carioca aceite e muito menos esteja disposto a adotar esse carnaval...

Capital Cultural – A Sebastiana reúne alguns importantes blocos do Centro, Santa Teresa e Zona Sul, e por isso é vista por algumas pessoas como uma entidade elitista, que só cuida de seus próprios interesses. Como você analisa essas críticas?
Rita – É natural que cuidemos de nossos interesses, o que já representa muita coisa. O que algumas pessoas não sabem é que, além de nossos blocos, nos preocupamos também com o bem-estar da sociedade e com o carnaval de rua como um todo. A maior prova disso é o fato de sempre após o carnaval realizarmos o Seminário “Desenrolando a Serpentina”, que discute os problemas surgidos durante o carnaval e busca mecanismos para que não se repitam no próximo ano. As pessoas que estão na Sebastiana não são profissionais do samba e nem ganham dinheiro com isso. Temos nossas profissões, nossas ocupações e o que nos une é o fato de sermos pessoas apaixonadas pelo carnaval.

Capital Cultural – Sobre essa crítica a um suposto elitismo por parte da Sebastiana?
Rita – Não concordo com isso. A Sebastiana não reúne a elite, pois esse não é nosso objetivo. A Sebastiana reúne os blocos com um pouco mais de tradição que, num dado momento, perceberam que precisavam se organizar. Elitistas? Isso não corresponde à verdade. Somos pessoas que gostamos dessa festa e percebemos que uma das maneiras de fazermos com que os blocos se mantivessem fiéis às suas tradições e não perdessem a força que representavam era a organização. A partir daí vieram as críticas. Como fomos a primeira entidade a se organizar, decidimos não aceitar novos blocos associados. Não abrir a Associação não representa que não respeitamos o trabalho das outras agremiações. Quando a Sebastiana surgiu, não tínhamos um domínio exato do que representava a entidade, precisávamos amadurecer, ganhar experiência. Tudo foi sendo lapidado com o tempo, principalmente em razão da diversidade e da realidade de cada um dos blocos que faz parte da entidade. Precisávamos de um tempo para saber exatamente o que éramos e o que representávamos. O que muitos viram como elitismo era, na verdade, um pouco de insegurança, pois não nos sentíamos competentes para isso.

Capital Cultural – Apesar da diversidade e da diferença entre os blocos, a Sebastiana acabou dando certo. Não se percebe, nas pessoas ligadas aos blocos da Associação, segundas intenções ou interesses pessoais.
Rita – O que percebemos desde o início é que o propósito de alguns blocos que nos procuravam era muito diferente dos nossos. Em razão disso, preferimos ser chamados de elitistas ou “de clubinho”, mantendo aquilo que nos une, a permitir que entrem na entidade pessoas cujo verdadeiro propósito desconhecemos. Sabemos que no carnaval existem muitos interesses políticos e comerciais e isso não interessa ao conjunto da Sebastiana. Não temos rigorosamente nada com os blocos que possuem esse tipo de finalidade, mas é preciso ficar claro que essa não é a nossa praia. Não temos uma natureza política ou comercial e, apesar das dificuldades que enfrentamos, conseguimos manter nossas características. Existem blocos que gostaríamos que participassem da Sebastiana, pois fazem um trabalho muito coerente, legal e respeitoso. Se há uma coisa clara entre nós é que não temos o desejo de ser a “Liga dos Blocos do Rio de Janeiro”. Isso não nos interessa mesmo.

Capital Cultural – Como começou tudo isso?
Rita – Começou no Bip Bip em Copacabana. O Jornal do Brasil havia pautado uma matéria sobre os blocos de rua – primeira de uma série que viria a partir dali – e sugerido que o ponto de encontro para entrevistas e fotos fosse no Bip. No encontro estavam representantes do Simpatia É Quase Amor, Imprensa Que Eu Gamo, Bloco do Barbas, Escravos da Mauá, Bloco de Segunda, Suvaco do Cristo, Carmelitas, Meu Bem Volto Já, Bip Bip e Clube do Samba. Terminada a matéria com o JB ficamos conversando e sentimos a necessidade de encontrar, em conjunto, soluções que viabilizassem os desfiles que começavam a crescer.


Formam a Sebastiana os seguintes blocos:
Bloco da Ansiedade (Laranjeiras)
Bloco do Barbas (Botafogo)
Bloco das Carmelitas (Santa Teresa)
Bloco de Segunda (Botafogo)
Bloco Virtual (Ipanema)
Escravos da Mauá (Centro)
Gigantes da Lira (Laranjeiras)
Imprensa que eu Gamo (Laranjeiras)
Meu Bem,Volto Já! (Leme)
Que Merda É Essa? (Ipanema)
Simpatia É Quase Amor (Ipanema)
Suvaco do Cristo (Jardim Botânico)

Leia mais...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Notas carnavalescas

Notas carnavalescas

Pérola I
Uma moça, demonstrando ingenuidade e encantada com o bloco Céu na Terra – manhã de sábado de Carnaval, no Largo das Neves – pergunta a uma amiga: “Só vim aqui uma vez. Esse bairro é muito legal. Tem um festival de artes plásticas muito interessante, o Santa Teresa de Pernas Abertas”.
Um morador que estava ao lado não se conteve e, não conseguindo esconder o sorriso, corrigiu: “Não, querida: é “Santa Teresa de PORTAS Abertas”.

Pérola I
Três amigas conversavam na porta do Cine Santa, após o desfile do Carmelitas na terça-feira, quando uma delas lamentou: “Tô no maior zero a zero, não consegui ficar com ninguém”. A segunda, concordando com a amiga, acrescentou: “Tá ruim mesmo” e, olhando para a terceira, fez o seguinte comentário: “Ao que parece só você se deu bem, pois conseguiu ficar com aquele gringuinho ontem”. A terceira, por sua vez, declarou com ar de decepção: “Me dei bem, nada! Me dei foi mal. O argentino era bonitinho, legalzinho, mas não compareceu. Perdi por WO.

Café requentado
O rapaz reencontra a “ex” no Escravos da Mauá, junto com um grupo de amigas e, todo feliz e sedutor, parte para a ofensiva: “Nossa, você tá linda. Carnaval é a oportunidade de encontrar um grande amor e reencontrar grandes ex-amores...”
Ela agradece, ficam um tempo batendo papo e tomando cerveja e, quando ele vai ao banheiro, uma das amigas comenta: “Senti que pintou um clima. Vai rolar?
A “ex” simplesmente se limitou a responder: “Nada feito. Ele até é gente boa, mas ficar com ele é o mesmo que tomar café requentado. Você, com algum esforço, até bebe, mas não rola sabor.

Idade é documento
Um dos critérios da Prefeitura para o próximo carnaval será o de idade. Os blocos mais velhos terão prioridade ao se inscrever para desfilar e serão criadas dificuldades para a criação de novos blocos.

Padronização de horário
Outra sugestão é criar horários para o desfile dos blocos. Nesse sentido, eles poderiam desfilar em quatro horários: de manhã, 9 ou 11 horas e à tarde, 14 ou 16 horas. Todos os blocos teriam que escolher um desses horários. Com isso, a prefeitura espera distribuir os foliões. Outra determinação da Ordem Pública é dificultar ao máximo os desfiles noturnos. Levando em consideração que à noite todos os gatos são pardos, isso faz sentido.

Mão no bumbum
O Bola Preta é tão grande, mas tão grande, que vale tudo. Não é que o prazer de um grupo de mais ou menos 20 mulheres – moradoras do Centro e de Santa Teresa, todas elas senhoras respeitáveis, algumas casadas e bem empregadas – é simplesmente, no meio da multidão, dar uma apertadinha no bumbum dos homens?! Beliscam e, quando o dono do bumbum apertado olha, elas disfarçam e continuam brincando.

Mão no bilau
Já na Lapa, no desfile do Bloco Quizomba, terça-feira em frente aos Arcos, o prazer de um grupo de rapazes era apertar o bilau dos adolescentes que passavam. A preferência era por adolescentes bombados, com aquele corpão de academia. A brincadeira quase virou uma grande confusão. Um adolescente palmeado se aborreceu e quis partir para a briga, mas foi contido por outros foliões.

Abadá
Uma das coisas mais comentadas no carnaval desse ano foi a declaração do prefeito Eduardo Paes de que o bloco que usasse abadá no carnaval estaria impedido de desfilar no próximo ano. Os foliões aplaudiram a declaração do prefeito, que demonstrou uma ponta de irritação ao saber que a agremiação “A Coisa tá Preta”, de Preta Gil, pretendia criar uma “zona de exclusão” no bloco.

Abadá II
Declaração de um folião na Praça XV durante o desfile do Cordão do Boitatá:
– Se a Preta Gil quer instituir abadá, tudo bem, não tem problema. Ela pode mais que isso, pode contratar um trio elétrico, chamar o papai Gilberto Gil e outros amigos pra tocar no bloco dela, mas desde que faça seu desfile na Bahia.

Abadá e mascarados
Outra coisa que deve sair de cena no carnaval carioca são essas pessoas mascaradas, que cobrem todo o rosto e ninguém consegue identificá-las. Segundo levantamento da polícia, a maioria dos assaltos que aconteceram principalmente no Centro e na Zona Sul, as pessoas estavam com o rosto coberto.

Salvador Nunca Mais
Um jovem se mostrava indignado, durante o desfile do Monobloco, no último domingo dia 21, por ter trocado o carnaval do Rio pelo carnaval de Salvador. Decepcionado ele comentava com amigos: “Fui procurar carnaval e achei axé”. Aquilo é muito ruim. Não faz nenhum sentido pagar uma grana por um abada e sair atrás de um trio elétrico”. Lá não são as pessoas que fazem a festa e sim os cantores em cima dos trios. Salvador nunca mais.

O Rio é melhor...
Uma amiga dando uma sacaneada não perdeu tempo e disse: È por isso que estamos cantando: “O Rio é melhor que Salvador”....
Sem perder tempo o rapaz retrucou:
Comparar o Rio com Salvador é um desprestígio para o Rio. Eles fazem uma coisa muito parecida com carnaval, que em alguns momentos até lembra carnaval, mas aquilo definitivamente não é carnaval.

Pérola de Bethlem I
“Quem fica reclamando que tem pouco banheiro, que vá para casa. Os banheiros ficam sujos porque as pessoas não são cuidadosas e emporcalham tudo”. Epa! Calma, sr. Bethlem! As pessoas não emporcalham nada, apesar do serviço ter melhorado neste carnaval, os banheiros são ruins, desconfortáveis e, em duas horas de uso, ficam imundos e fedorentos. Essas pessoas que estão reclamando, sr. Secretário, são as que pagam impostos e movimentam a economia desta cidade.

Pérola de Bethlem II
O “xerifão da Ordem” declarou que a Guarda Municipal foi rígida com os ambulantes e não permitiu que entrassem no meio dos blocos. Isso é uma meia-verdade, Sr. Secretário. De fato, a eficiência dos guardas foi ímpar nos blocos da Sebastiana, mas, quanto aos outros, a Guarda fez vista grossa, como pôde ser percebido no Bloco Aconteceu de Santa Teresa, ou no Quizomba da Lapa, onde a Guarda, se apareceu, não compareceu.

Pérola de Bethlem III
Esse negócio de emporcalhar é muito relativo, Sr. Secretário. A cerveja que pagou os banheiros químicos na cidade, esta sim, emporcalhou tudo com galhardetes horrorosos e sombrinhas que atrapalhavam os blocos. A cervejaria deu sombrinhas para os ambulantes que, sem qualquer repressão, vendiam tranquilamente sem ser incomodados pela Guarda.

Emporcalhando
Para se ter ideia de como essa cervejaria se achava a dona do carnaval, houve um início de discussão entre componentes do Bloco das Carmelitas e um desses marqueteiros da citada empresa. A direção do bloco não concordou com as sombrinhas e a publicidade da cervejaria no meio do bloco. Alegavam os dirigentes que as cores daquela logomarca descaracterizariam as cores do bloco. No dia 7, domingo, o pessoal do Escravos da Mauá também não permitiu que a empresa invadisse o bloco.

Para ficar claro
A AmBev patrocina o carnaval de rua da Prefeitura, mas isso não tem nada a ver com os blocos. A AmBev até pode como fez, encher a cidade de galhardetes e provocar uma terrível e catastrófica poluição visual, mas não tem qualquer ingerência sobre os blocos, a não ser sobre os que venha a patrocinar. Mas a turma da Prefeitura, que vivia fazendo discurso e dizendo que acabaria com a poluição visual da cidade, neste caso, faz vista grossa. Será que se aquela senhora que coloca aqueles cartazes dizendo “trago a pessoa amada em três dias” e que sempre é perseguida pelos fiscais da Prefeitura, patrocinar o carnaval, ela poderá emporcalhar a cidade?

A Grana da Sebastiana
O patrocínio dos blocos da Sebastiana vem de uma parceria com a TV Globo. Os blocos da Sebastiana foram divididos pela Globo em três níveis: nível A – Simpatia é Quase Amor e Suvaco de Cristo – ganham em torno de R$ 40 mil; nível B – Carmelitas e Escravos da Mauá – ganham R$ 25 mil; e existem outros blocos menores que estão no nível III e ganham em torno de R$ 20 mil. Os blocos que desfilam duas vezes, como Carmelitas e Simpatia, ganham dobrado.

Leia mais...

  ©Jornal Capital Cultural - Todos os direitos reservados.

Template by Dicas Blogger | Topo