quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O melhor carnaval é nas casas da Lapa. Vai perder?




Carnaval do Bola Preta
Rua da Relação, 03
Esquina com Rua do Lavradio
Tels. 2240 8099 0u 2240 8049

Dia 03
22h - Céu na Terra.
Dia 05
8h – Desfile da “ Tradição, Paz, Amor e Folia” – Cinelândia
12h – Macarronada Carnavalesca na sede da Rua da Relação.
23h – Baile de Carnaval “ Carnaval Total é no Patrimônio Cultural”.

Dia 06
15h – Matine Infantil de Carnaval
23h – Baile de carnaval “Quem não chora não mama”.

Dia 07
23h – Baile de Carnaval “Segura a Chupeta”.

Dia 08
15h – Matine Infantil de Carnaval
23h – Baile de Carnaval “Mulher, coisa mais linda e cheia de graça.. A noite é delas”.


Carnaval no Sacrilégio
Av. Mem de Sá, 81 - Lapa.

Sexta
Dia 04- Nando do Cavaco

Sábado
Dia 05- Roda de Bamba

Domingo
Dia 06 - Toque de Arte

Segunda
Dia 07 - Toque de Arte

Terça
Dia 08- Baile dos Ossos c/ Roda de Bamba



O Carnaval no Carioca.
Carioca da Gema


Dia 01
Baile a Fantasia do Carioca da Gema
Moyseis Marques, Ana Costa e Sexteto Pé de Ouvido

Dia 04 – sexta
Elisa Addor e Mackey Mattos

Dia 05 – Sábado

Dia 6 - Domingo
Ana Costa, Mackey Mattos e Sexteto

Dia 07 - segunda-feira
Richards

Dia 08 - Terça
Rogê



Folia No Circo


http://www.circovoador.com.br/


Rua dos Arcos s/nº - Lapa.



Chopp Duplo até Meia Noite


DJ Ailton Areas nos intervalos.


Sábado Dia 05 Bateria da Mangueira - Bloco Suvaco do Cristo - Bloco Quizomba


Domingo Dia 06 Bateria da Beija-Flor - Bloco Suvaco do Cristo - Bloco A Rocha


Segunda Dia 07 Bateria da Mangueira - Bloco Simpatia é Quase Amor - Bloco A Rocha


Terça Dia 08 Bateria da Beija-Flor - Bloco Simpatia é Quase Amor - Bloco Quizomba




Estudantina
Praça Tiradentes 78/81


Dia 05 - Sábado
Carnaval
Festa dos Gaúchos
Festa Tchê Q Fut Samba 20h
Antecipado R$ 15 – No dia R$ 20



Fundição Progresso
Rua dos Arcos s/nº

www.fundicao.org


Carnaval
Dia 08 - Terça
Carnaval na Lapa com o Grupo Bom Gosto.



Carnaval No Mistura
Mistura Carioca
Rua Gomes Freire, 791 - Lapa


Dia 03 - Quinta
Samba e Pré Carnaval - R$ 30,00
Dia 04 - Sexta
Samba e Pré Carnaval - R$ 30,00
Dia 05 - Sábado
Feijoada do Mistura Carioca
Feminino R$ 60,00 - Masculino R$ 90,00 -
Bebidas liberadas: Chopp Bhama, caipirinha e refrigerante
Somente reservas antecipadas até 28/02.



Carnaval na Gambôa é no Trapiche
Trapiche Gambôa
Rua Sacadura Cabral, 155



Dia 03 - Quinta - 22h30
Baile a Fantasia do Trapiche
Mias uma vez o Trapiche escolheu músicos de primeira qualidade para comandar uma das festas mais animadas da casa, o Baile a Fantasia do Trapiche. Alfredo Del Penho, Pedro Paulo Malta e Companhia, comandam a festa

Dia 04 - Sexta - 22h
Paulistas, Mineiros e Cariocas
O cantor e cavaquinista Eduardo Gallotti comanda uma roda de samba que será um encontro Rio, São Paulo e Minas. Imperdível

Dia 05 - Sábado - 22h30
Sambas Enredos de todos
os tempos com o Grupo Galocantô.

Dia 08 - Terça - 22h30
IIª Baile a fantasia com Alfredo Del Penho, Pedro Paulo Malta e Companhia.
Divirta-se.



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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Melhores shows de 2010 no Centro

Jornal
Eleição do Jornal Capital Cultural
Melhores shows de 2010


Pelo oitavo ano consecutivo o Jornal Capital Cultural elege os melhores shows realizados nas principais casas do Centro Histórico do Rio de Janeiro. Ao contrário da escolha dos melhores espetáculos do ano que acontecem em alguns veículos de comunicação, o Corpo de Jurados convidado pelo Capital Cultural em cada uma das casas, é composto por pessoas diretamente ligadas a essas casas. Nosso júri é formado por proprietários e funcionários de cada uma desses espaços, num universo que compreende produtores culturais, iluminadores, garçons, músicos e demais pessoas ligadas diretamente a cada uma das casas.
Face a pluralidade e a qualidade musical encontrada no Centro da cidade, em momento algum pensamos em eleger o melhor show dentre todas as casas. Estamos convencidos de que pelo número de shows que cada uma dessas casas apresenta anualmente, ser escolhido o melhor, já se constitui numa grande vitória.
Este ano, se somadas todas as casas, computamos um número de 265 votantes. Um número expressivo e altamente relevante. Queremos parabenizar aos vencedores, desejar sorte em suas respectivas carreiras e aguardar o próximo ano, quando esse júri muito especial, mais uma vez estará elegendo os melhores de 2011.


Café Cultural Sacrilégio


Formado em 1996, o Grupo Roda de Bamba vem se firmando nas muitas casas que se apresenta e já começa a ser apontado como uma das principais atrações e uma das maiores revelações do samba carioca. No Sacrilégio, foi apontado como o melhor show realizado em 2010.
Sempre com um repertório variado e em sintonia com o público , o Roda de Bamba, além de composições próprias, canta sucessos de Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal, Beth Carvalho, Martinho da Vila, Arlindo Cruz e Paulinho da Viola, e realiza ainda, releituras para sucessos de Marcelo D2, Seu Jorge e João Bosco dentre outros. Na segunda colocação ficou o Grupo Bohemia Carioca.



Carioca da Gema

Apontado como uma das grandes revelações do samba carioca Moyséis Marques foi indicado como melhor show realizado no concorrido palco do Carioca da Gema. O cantor e compositor já gravou dois CDs , o primeiro, o álbum homônimo “Moyseis Marques” em 2007 pela Deckdisc, e o segundo, “Fases do Coração”, em maio de 2009. Do segundo disco, viu explodir nas paradas a música “Pretinha Jóia Rara”, de sua autoria e que fazia parte da trilha sonora da novela “Caminho das Índias”, da Rede Globo. Apesar de ainda jovem Moyseis já fez história no universo musical carioca. Foi fundador das bandas “Forró na Contramão” e do Grupo Casuarina. Participou ainda, das bandas “Casa Quatro”, “Rio Maracatu” e “ Tempero Carioca”. O projeto de sua autoria, denominado “Moyseis Marques e a família” revelou as cantoras Patrícia Oliveira e Elisa Addor. Na segunda colocação com o mesmo número de votos terminaram empatados Richars e Ana Costa e Luiza Dionísio


Centro Cultural Carioca
No Centro Cultural Carioca o grupo apontado como aquele que realizou o melhor show de 2010 foi o Sururu na Roda. O grupo que surgiu em 2000 em encontros nos jardins da UNIRIO,
ganhou experiência, qualidade musical e, dez anos depois, se firmou como um dos principais destaques no universo do samba no Rio de Janeiro.
Uma das grandes marcas do grupo é sua sonoridade que expressa diferente nuance de timbres. Isso ocorre com muita naturalidade pelo fato de seus integrantes serem cantores e instrumentistas, cada um proveniente de um contexto musical diferente, trazendo para o grupo sua bagagem e suas influências. O resultado é uma grande mistura dos gêneros da música brasileira e uma verdadeira miscigenação musical.
Na segunda colocação ficou a cantora Teresa Cristina


Circo Voador

O cantor e compositor Marcelo D2, que decidiu fazer uma homenagem ao inesquecível e saudoso Bezerra da Silva, foi apontado como o melhor show realizado no Circo. Irreverente e autor de músicas polêmicas que sempre retratam questões sociais, Marcelo D2, cria da Lapa, como ele mesmo coostuma dizer, se tornou um dos principais nomes da música brasileira.
Vencer no Circo Voador é sempre uma façanha especial em razão da variedade e da qualidade musical dos grupos que ali se apresentam.
Em segundo no Circo, ficou a cantora Ceu.

Cordão da Bola Preta

A cantora Áurea Martins é um desses nomes que em se tratando de qualidade musical dispensa comentários. É reconhecida e apontada por figuras consagradas e estudiosos da MPB, dentre eles, Hermínio Belo de Carvalho e também por praticamente todos os jovens valores do samba da cidade como uma de nossas principais cantoras e uma das vozes mais belas no cenário da música nacional.
O Show que realizou no Cordão da Bola Preta em homenagem a Elizeth Cardoso, foi apontado quase que por unanimidade como o melhor realizado naquela casa em 2010. Com dois discos gravados e hoje se apresentando ao lado da Orquestra Lunar, Áurea Martins, com seus 68 anos, continua sendo umas das musas de nossa música e sempre realizando apresentações memoráveis.
Elton Medeiros foi apontado como segundo melhor show da casa


Estudantina Musical
Cantora reconhecida e de grande prestígio Dorina foi apontada como o melhor show realizado em 2010 na Gafieira Estudantina Musical. Cantora conceituada e com um aprendizado que se iniciou nos blocos carnavalescos do subúrbio, lançou em 1996 seu primeiro disco, “Eu Canto Samba”, que recebeu o prêmio Sharp daquele ano na categoria Revelação Samba.
O segundo CD, “Samba.com”, saiu em 2000, desta vez com direção musical de Paulão 7 Cordas. No momento Dorina trabalha o lançamento de seu mais novo trabalho, o Cd “Brasilieirice" que vem sendo muito elogiado pela critica e pelo público.
Outros momentos marcantes na carreira foi a participação no “Coisas Nossas” (tributo a Noel Rosa) e, posteriormente, o show “De Paulo a Paulinho”, contando através de sambas a história da Portela, de Paulo da Portela e Paulinho da Viola. Além disso, foi uma das criadoras do Bloco Suburbanistas, onde se apresentava ao lado de Mauro Diniz e do memorável Luis Carlos da Vila.
O show apresentado por Wilson Moreira ficou em segundo.

Fundição Progresso

Num ano em que passaram grandes atrações nacionais e internacionais pela Fundição Progresso, Lenine que realizou uma apresentação esplendorosa e marcante, foi apontado como o melhor show do ano, na casa.
O cantor considerado um dos maiores valores da música brasileira e que dispensa comentários em razão de sua trajetória profissional e de sua qualidade musical, demonstrou no show que vem se renovando a cada trabalho e mantendo o prestígio junto a seus muitos fãs.
Em segundo lugar ficou o Teatro Mágico


Mangue Seco
Preservar as raízes culturais do mais verdadeiro e genuíno samba. Esse o objetivo principal da Turma do Estácio, escolhida como melhor grupo do ano na Cachaçaria Mangue Seco. O grupo que se apresenta em diversas casas da cidade vem obtendo grande sucesso. Formado no Estácio, um dos principais berços do samba carioca trazem no variado repertório nomes que fizeram e fazem parte da história de nossa música, como Candeia, Cartola, Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Nelson do Cavaquinho dentre muitos mestres. O primeiro Cd lançado pela Turma do Estácio e intitulado “Turma do Estácio canta a Essência do samba” obteve grande sucesso e tem sido responsável pelo sucesso que o grupo vem obtendo. A Turma do Estácio é também responsável pela parte musical das festividades da G.R.E.S. Estácio de Sá.
Em segundo ficou Júlio Veríssimo.


Mistura Carioca

O cantor e compositor Noca da Portela foi apontado como o melhor show realizado no Mistura Carioca. Um dos nomes mais conceituados do samba brasileiro Noca sempre encanta em suas apresentações. Pertencente a ala de compositores e um dos principais nomes da Azul e Branco de Madureita e um compositor festejado também blocos da cidade – já ganhou samba em praticamente todos eles. Com vários discos gravados Noca vive viajando e se apresentando em diversas cidades do país onde sempre ontem muito sucesso.
Na segunda colocação ficou Aninha Portal


Parada da Lapa

Reinaldo “O Príncipe do Pagode”, que já havia vencido como melhor show da casa em 2009, pelo segundo ano consecutivo é apontado como o melhor show realizado na Parada da Lapa. O casamento entre a casa e o cantor acabou sendo perfeito. Ele sempre se renova em suas apresentações, conseguindo, com isso, além de manter um público fiél ver seus fãs e admiradores se renovarem permanetemente.
Em segundo lugar ficou o Grupo sempre Assim.

Rio Scenarium

Considerado o melhor e mais popular grupo de Brasília o Grupo Samba Choro já tinha dados prova de sua excelência musical quando obteve a segunda colocação na eleição realizada em relação aos melhores shows de 2009, realizada no Rio Scenarium, uma das casas de maior prestígio do Rio de Janeiro. A competência musical do Grupo pode ser comprovado na eleição das melhores apresentações de 2010, quando o Grupo saiu como vencedor.
Uma coisa é certa: musicalidade é que o não falta ao grupo que apresenta sempre um repertório de altíssima qualidade recheado de sambas e choros marcantes em nossa música.
O indicado como segundo melhor show da casa foi João Sabiá

Teatro Rival

A alegria, o carisma e energia de Mart’nália encanta por onde quer que ela passe. Seus shows sempre animados e com um repertório de primeira qualidade garantem excelentes apresentações. Exatamente por sua presença de palco e sua qualidade musical a cantora foi a escolhida como o melhor show no Teatro Rival. Uma vitória significativa e expressiva em razão da excelente programação da casa que, apresentou alguns dos principais nomes de nossa música, dente eles, João Bosco, Elza Soares, Beto Guedes, Arlindo Cruz e Geraldo Azevedo, dentre muitos outros.
A trajetória da cantora vem num crescente a cada trabalho que realiza. No momento acabou de gravar o CD ( Mart’nlia em Africa ) que vem obtendo grande sucesso. Antes disso, gravou: Mart’nália (1987); Minha Cara (1997); Pelo Meu Samba(2002); Mart’nália ao Vivo ( Cd 2004) e (DVD 2005); Menino do Rio (2005); Mart’nalia ao Vivo em Berlim CD/DVD (2006; Madrugada (2008).

Teatro Odisséia

Em 2006, um grupo de batuqueiras, a maioria vinda de blocos carnavalescos e oficinas de percussão como o Monobloco, se uniu para fazer uma releitura original do universo musical criado por Chico Buarque. Decidiram interpretar suas canções dentro de uma estética inusitada, com destaque para a formação instrumental tradicional das Escolas de Samba. Surgia, desta forma, o grupo Mulheres de Chico, que passou a fazer grande sucesso na cidade e este ano foi apontado como melhor show realizado em 2010, no Teatro Odisséia.
O grupo se firmou como um bloco no carnaval de 2007, quando aquele grupo de mulhres batuqueirasieiras pegou a contramão da hegemonia masculina no mundo do samba, e decidiu participar do carnaval. Naquele ano, o Mulheres de Chico despetou a atenção dos foliões que assistiram e participaram do primeiro desfile, que aconteceu no estilo concentra-mas não-sai. Desde então, o grupo feminino vem recriando a obra de Chico, e, conseguindo ganhar, com isso, grande visibilidade. Nas apresentações do grupo, é explorado fundamentalmente ritmos nacionais como o samba, o ijexá, o côco, o jongo, a marchinha e até mesmo o funk carioca.
Em segundo ficou o Bloco Empolga as 9


Trapiche Gamboa

O Grupo Galocantô, um dos que mais se firmou na cidade nesta renovação do samba carioca foi apontado como vencedor no Trapiche Gamboa.
O passaporte para o sucesso do Grupo veio em 2006, com o lançamento do primeiro CD, intitulado “Fina Batucada”. A qualidade musical era de tal grandeza, que o Galocantô, foi indicado ao Prêmio Tim 2007 na categoria “Melhor Grupo de Samba”. Avalizado com participações de bambas como Beth Carvalho, Arlindo Cruz e Rildo Hora, além da especialíssima Velha Guarda do Império Serrano.
Atualmente o grupo trabalha a divulgação do Cd “Lirismo do Rio”, com canções inéditas, muitas de autoria dos componentes do Galo e outras de nomes consagrados do mundo do samba

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domingo, 12 de dezembro de 2010

... Reflexões sobre a invasão no Complexo no Alemão....



"Guardando as devidas proporções, o Estado com seu braço forte e poderoso, fez uma operação na Vila Cruzeiro e no Complexo do A lemão, usando a mesma estratégia de combate utilizada contra Antonio Conselheiro e a R evolta de Canudos; agiu rigorosamente da mesma forma que agiu contra Zumbi, no Quilombo dos Palmares, e teve o mesmo comportamento que teve no período do Regime Militar, quando se invadiam casas à cata de organizações de extrema esquerda e pessoas subversivas".

Marcelo Yúka




“É claro que
todo este estado de “beleza e caos”, tinha que acabar em algum lugar e acabou no limite máximo que foi o tráfico tomando conta da cidade. Umdomínio muitas vezes abalizado por uma parte de policiais corruptos e políticos inescrupulosos”.

Fernanda Abreu



Um tiro no pé

Marcelo Yúka

Músico - Criador do Grupo o Rappa

O desfecho de toda essa história que culminou com a invasão da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão foi um verdadeiro tiro no pé. Os traficantes com a onda de violência que espalharam pela cidade conseguiram unir a opinião pública contra a bandidagem. Por outro lado, ficou claro o tiro no pé, dado pelo poder público pelo fato de nos últimos anos não ter feito rigorosamente nada e deixado toda essas pessoas à margem da sociedade.

Como opróprio governador Sérgio Cabral admitiu, as coisas só chegaram a esse ponto de violência por omissão do Estado. O governador parece ter a exata noção do que, para muitos, há muitos anos parece óbvio: estamos gastando um dinheiro enorme com tanques, helicópteros, metralhadoras para combater aquilo que nós mesmos criamos. É mais fácil e mais barato comprar lápis, cadernos e construir salas de aula, que gastar dinheiro com armamentos.

Sou por natureza um pacifista e não faço apologia ao crime. Não precisamos ser sábios ou gênios para entendermos o que aconteceu, e para tanto, basta olharmos para o processo histórico. Guardando as devidas proporções, o Estado com seu braço forte e poderoso, fez uma operação na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão, usando a mesma estratégia de combate utilizada contra Antonio Conselheiro e a Revolta de Canudos; agiu rigorosamente da mesma forma que agiu contra Zumbi, no Quilombo dos Palmares, e teve o mesmo comportamento que teve no período do Regime Militar, quando se invadiam casas à cata de organizações de extrema esquerda e pessoas subversivas. As razões podem variar no tempo e espaço, mas a forma de ação do braço do poder ocorresempre da mesma forma.

Sempre, de maneira sutil, se estimula o que denominamos de “bom senso”, de justo e correto. É óbvio, que com isso, a sociedade se sente segura, protegida e abraça este “bom senso”, esta causa. A sociedade é conduzida a optar por ações de extrema energia. Mas este mesmo “bom senso”, teria também que nos fazer perceber que combatemos e queremos extirpar do nosso meio, de nossa convivência, um monstro que o Estado, o poder público, os meios de comunicação e nós, enquanto cidadãos criamos.

A indiferençaque essa mesma sociedade que hoje quer extirpar teve para com essas pessoas, a exclusão a qual submetemos as pessoas destas comunidades mais carentes e a omissão do Estado em relação a fazer qualquer coisa de concreta nos levou a esse estado de caos.

É preciso comunicar, diminuir distâncias e estou convencido de que a arma mais importante, mais sofisticada e mais poderosa nesse confronto foram as câmaras. Através das câmaras de nossas forças militares, vimos o domínio territorial que Exército, Marinha e Aeronáutica tinha sobre a região. As câmaras das emissoras de televisão não puderam romantizar e mostraram a dura realidade e as condições de vida daquelas pessoas caminhando

entre vilas, becos, biroscas e barricadas. E, finalmente, temos que ressaltar a importância das câmaras dos moradores, pois se as câmaras das TVs mostraram enquanto puderam a ação policial, as câmaras dos moradores, essas sim, tinham o poder de revelar tudo que acontecia por outra ótica, sobre outro ponto de vista O problema das câmaras é que chega um momento que elas precisam ser desligadas e aí ficamos desligados.

A desigualdade social nos faz viver numa sociedade complexa. Acho extremamente positivo que não estejamos vivendo num estado de exceção. Me deixa de ce rta forma indignado, perceber em nossa sociedade que muitos compartilham do pensamento que o traficante não tem direito à vida. Discordo dessa idéia, discordo dessa premissa. Não é porque ele tira a vida, que ele não tem direito

à vida. Não é porque ela tira a vida que ele tem que perder a vida. Não concordo que tenha que se combater a violência com mais violência.

Serei eternamente contrário a essa idéia. Não concordo nunca com o uso do braço forte. Minha sintonia é outra. Minha harmonia é outra. . Fiquei atento às câmeras e elas, enquanto puderam, mostraram que pelo tamanho do confronto que se anunciava, tivemos poucas baixas.

Para finalizar, quero apenas enfatizar uma coisa que há muito tempo digo: as facções criminosas não são organizadas e provaram isso se utilizando de uma tática burra e suicida ao alarmar, assustar a cidade. Deram um tiro no pé. Ao mesmo tempo em que provaram que são desorganizados, provaram também que existe uma mão invisível e poderosa, essa sim, muito organizada. Uma mão que mantém toda esta estrutura, todas essas organizações criminosas e as idas e vindas de drogas e armas. Combater essa mão invisível e tão poderosa é o grande desafio, a grande questão.


Sou carioca: Quero meu crachá

Fernanda Abreu

Cantora e compositora

Uma das criadoras da Banda blitz

Uma coisa é óbvia para todos nós e, principalmente, para nossas autoridades: a invasão da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão é o reflexo de políticas equivocadas ou de nenhuma política adotada nos últimos 30 anos na cidade. Há um total descaso com a parcela mais pobre e mais carente da sociedade. Nossos governantes nunca questionaram quem eram aquelas pessoas e como viviam. Nunca se pensou em um projeto de moradia, de transporte eficiente e nunca houve qualquer preocupação com a segurança e a saúde. É uma parcela que vive à margem da sociedade, logo, que vive marginalizada. Não se pensou na demanda da migração das pessoas que vieram de outros estados, na realidade daqueles que vieram tentar a vida nesta cidade.

O poder público nunca deu atenção, nunca se importou e sempre olhou de maneira indiferente e de forma preconceituosa para a formação rápida das favelas. Onde não há domínio público, alguém domina, e vimos, com isso, o surgimento do poder paralelo. Vimos por um lado o crescimento do tráfico de drogas e por outro a corrupção política e policial. Vimos primeiro a força do tráfico e depois a força das milícias.

Até 1990 não ouvíamos falar de subuse, de AK 47, de R15, de metralhadores e submetralhadoras. Tudo isso, passou a fazer parte do cotidiano da cidade. Me lembro que em 1992, compus a música Rio 40º, que de certa forma era meio visionária. Falava do Rio como uma cidade de cidades misturadas, e questionava de quem é essa viela, esse beco.

Falava da novidade cultural da garotada favelada ser subuse musical da batucada digital. Não era um incentivo à violência. Na verdade era uma proposta de tirar as balas dos carregadores das metralhadoras e colocar ali dentro chips musicais de batucada digital.

A garotada carioca, principalmente a parcela mais carente, gosta do funk, da escola de samba, de tocar pandeiros e tamborins. Esses meninos são de uma musicalidade rara. Fazem equipes de sons e a idéia da música Rio 40º era metralhar esses meninos de música e arte.

Já se passaram quase 20 anos, continuo achando que é preciso fazer esses meninos usarem suas armas, e uma delas, e talvez a mais poderosa delas, é a musicalidade. Já se passaram tantos anos, todos nós envelhecemos, amadurecemos, o Rio continua com uma temperatura de 40 graus, e eu continuo carioca e querendo meu crachá. Continuo querendo que essa cidade tenha dono. Que a cidade não seja partida e pertença a todos. Continuo sonhando que haja menos discriminação e segregação para que não tenhamos mais episódios como a invasão da Vila Cruzeiro e do Morro do Alemão.

É claro que todo este estado de “beleza e caos”, tinha que acabar em algum lugar e acabou no limite máximo que foi o tráfico tomando conta da cidade. Um domínio muitas vezes abalizado por uma parte de policiais corruptos e políticos inescrupulosos. O governo federal sempre se omitiu a essa questão e sabemos que as drogas e as armas entram por estradas e por aeroportos. Não é uma questão Municipal ou Estadual. Não é um problema particular do Rio, é sim uma questão de Estado, mas o governo federal sempre fechou o olho para a segurança pública.

Era inevitável este desfecho, aconteceria a qualquer hora e aconteceu: um dia acordamos com uma situação de emergência em razão dos acontecimentos que tomaram conta da cidade com ônibus, carros e motos sendo incendiados. Confesso que não entendi até agora, a idéia do tráfico em promover todo esse medo, toda essa desordem. Pela primeira vez, a comunidade apoiou as ações policiais e isso é compreensível. A polícia nunca foi vista como uma força que estava ali para proteger o cidadão. O morador não confia na polícia, em razão da corrupção. Uma policia que se fazia presente, mas deixava o tráfico acontecer e se beneficiava com isso. Todos sabem que em via de regra, a policia entra nas comunidades atirando, mas desta vez a comunidade percebeu a presença do Estado.

Percebemos uma certa euforia no ar, mas não se pode declarar vitória de nada. Foi dado um passo, e nós cariocas, estamos muito esperançosos. Nós que amamos esta cidade, desejamos que a cidade esteja em paz, mas foram tantos os desmandos e descasos, que ficamos com um pé atrás. É preciso transparência total. O governo precisa dizer o que irá fazer. Não desejamos respostas rápidas, imediatas e sensacionalistas. Desejamos apenas ter conhecimento do planejamento.

Me parece que o governo Sergio Cabral está atento e que não faz apenas uma maquiagem para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas. Só o fato de a favela estar nas mãos do Estado já é um alívio, um grande passo, mas precisamos saber os bastidores. Estamos cansados de políticas de bastidores.

O Rio tem essa tendência de acolher a todos, de não discriminar ninguém: uma cidade que sempre quis incluir outros povos, outras pessoas, outras regiões, nacionalidades, musicalidade e outras artes e manifestações culturais. Uma cidade que tem como símbolo um Cristo, prova o espírito da sociedade carioca que é o de estar com os braços abertos para todo mundo.


Malandros,marginais e marginalizados

Virgílio de Souza

Jornalista Responsável pelo Jornal Capital Cultural


O tráficoapresenta suas armas. Lá emcima, balas traçantes, bandidos armados até os dentes, com suas faces encobertas por panosencardidos. Risos, deboches, desafios... Lá em baixo, carros e ônibus pegando fogo... A cidade, sempre agradavelmente quente, ardia demedo e pavor.

O Estado apresenta suas armas: Marinha com seus poderosos tanques; Aeronáutica com seus helicópteros blindados; Exército fortemente armado nas ruas. Nossos soldados, sempre enclausurados dentro dos quartéis, como madres em conventos, estão prontos, se aprontam. É que nos quartéis lhes ensinaram antigas lições de morrer pela pátria...

Em nossas casas assistíamos perplexos o inicio de uma guerra anunciada. A cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro vivia um clima de medo, de insegurança. A Cidade Cartão Postal poderia implodir, sagrar...

Os meios comunicação mais uma vez faziam com que tudo fosse grande espetáculo. A guerra pela audiência transforma tudo num fantástico show da vida, embora o show da vida, em muitos casos, não seja tão fantástico assim. Com suas câmaras, profissionais e analistas que mais pareciam animadores de festa, mostravam nas janelas panos brancos. Queriam nos fazer acreditar que, finalmente, a sociedade exibia sua indignação e, por isso, se tornara amiga de fé, irmã, camarada da polícia, da força, das instituições e da legalidade.

Aprovar uma ação, ou ser induzido a apoiar uma reação não representa aprovar a corporação e muito menos as instituições. Não foi por culpa da sociedade, mas ela aprendeu a não acreditar na corporação, na polícia, nos políticos, nas instituições. De tão enganada, aprendeu, inclusive, a não acreditar nos veículos de comunicação. Será preciso que esse monopólio da comunicação, restrito na mão de meia dúzia de sortudos que ganharam uma concessão, resgate a credibilidade, fale muita verdade, para nos esquecermos que já falaram tanta mentira.

Ainda há um mês esses “isentos” veiculos de informação transformaram uma inocente bolinha de papel num rolo de durex, tão grande e tão destrutível que foi capaz de nocautear o candidato José Serra do PSDB e mandá-lo ao hospital. Como podemos acreditar? - Quem comete pequenas omissões é capaz de grandes mentiras, de grandes farsas, de enormes falcatruas e, por isso, aprendemos a não acreditar em nossos meios de comunicação.

Já há algum tempo a sociedade vem dando sinais de sua indignação. Já faz um bom tempo que sociedade se mostra exausta, cansada, de saco cheio. Uma gente que embora vá levando já não quer lembrar a canção de Milton Nascimento “Ri quando deve chorar e não vive apenas agüenta”.

Sim... Estamos cansados de sermos sacaneados e já não queremos mais respirar malandros e marginais por todos os cantos.Sim... Estamos cansado de termos que conviver e aturar esta “marginália bundona” e pé de chinelo, que se impôs com uma R-15 nas mãos e, quando o “bicho pega”, foge como ratazanas no meio da mata e em galerias de esgotos.

Mas não é só isso... Estamos também indignados com os párias da pátria que não precisam fugir e são amparados por Habeas Corpus obtidos na calada da madrugada.

Acreditaremos nas instituições no dia em que o braço da lei abraçar os malandros de colarinho branco, esses canalhas que dão golpes financeiros, promovem caixa 2, desfalcam o Ministério da Saúde, do Transporte, mas, porém contudo, todavia, entretanto e todas as vênias, permanecem em liberdade.

Seremos um pais sério, no dia em que não vermos mais proprietários de banco dando desfalque de US$ 4 milhões e obtendo o direito de pagar em dez anos, em suaves prestações, como se paga um carnê do Baú.

Respiraremos mais aliviados, no dia que vermos investigações mais rígidas para os prefeitos que brincam com a verba pública e orçam uma obra em 50 e gastam 500 milhões. Teremos fé, no dia em que não tivermos a notícia de pastores evangélicos que fazem lavagem de dinheiro de forma descarada e, num péssimo portunhol, declaram sorridentes: “Não Passa nada”.

Sim... A sociedade quer extirpar os marginais, a marginália que queima carros, ônibus e se transformaram numa ameaça constante, numa pereba cotidiana. Queremos nos ver livre dessa pereba, mas queremos também nos livrar deste câncer representado por uma elite doentia, sem princípios, que quanto mais tem mais quer. Que quanto mais rouba, mais quer roubar.

Queremos a exclusão destes bandidinhos, mas queremos também a exclusão de nosso convívio desses ratinhos da burguesia que colocam fogo em índios, como ocorreu em Brasília; batem em empregada doméstica como aconteceu no Rio ou agridem gays em plena Avenida Paulista. É preciso que o peso e a medida sejam iguais. Porque a balança da justiça tem que pender para um lado?

Não queremos os marginais e a marginalia, mas também não queremos os malandros e a malandragem que torra a grana pública sem nenhuma cerimônia. O que é mais condenável? - Vender cocaína, crack ou maconha ou desviar a grana da saúde que salvaria vidas e possibilitaria a criação de mais hospitais e possibilitaria um pais menos desigual? Estamos cansados dos marginais, dos malandros e, principalmente, de sermos marginalizados e transformados em pessoas de segunda, em uma sociedade de segunda, sem nenhum direito à cidadania.

Marginalizados quando temos que enfrentar intermináveis filas no ponto final do ônibus, das barcas ou do metrô. Otários, quando pagamos um plano de saúde e quando precisamos dos serviços não temos direito a uma série de direitos. E quem manda esses pilantras que não cumprem as regras dos planos de saúde e das concessões dos transportes públicos para a cadeia?

A marginalia pé de chinelo, de R15 nas mãos, vai para presídios de segurança máxima mas para qual presídio vão esses larápios, esses malandros abastados que governam o país há 500 anos e, há 500 anos, cometem todos os tipos de descasos e desmandos contra a sociedade, contra a nação?








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domingo, 10 de outubro de 2010

Quem reprova o Governo Lula?

Quem reprova o Governo Lula?

Opiniões de Carlos Lessa, Ex-presidente do BNDES; Pedro Luís (cantor e líder do Monobloco), Nelson Rodrigues Filho, jornalista; Roberto D’Ávila, jornalista; Zuenir Ventura, escritor, Paulo Lins, escritor; Antônio Pedro, ator; Carlos Bolsonaro, ex- capitão do exército e deputado federal e Carlos Fernando arquiteto e presidente do IPHAN, avaliaram o governo Lula e analisaram o perfil do pequeno percentual que reprova o presidente.

A história de Lula já se transformou em filme, mas tem potencial para virar uma bela novela. Não um melodrama qualquer, mas uma novela com direito a sofrimento, alegria, luta, perdas, dificuldades, adversários poderosos, derrotas e muito sucesso.
Opositores e adversários políticos tentam entender a razão do prestígio do presidente e vivem tentando encontrar seu “calcanhar de Aquiles”. Uns apontam seus programas sociais como o Bolsa Família, o PAC e mesmo os pontos de cultura como a razão de seu sucesso. Outros, em qualquer oportunidade tentam rogar praga e desqualificar sua popularidade.
Faltando três meses de deixar a presidência qual a opinião de importantes personalidades de nossa sociedade sobre Lula? – Quem reprova e quem aprova o atual presidente?


Uma sociedade em transformação
Pedro Luís
Cantor e Líder do Monobloco
“Não sou estatístico. Não sei exatamente onde se localiza esse pequeno percentual que não aprova o governo Lula. Nosso país passou por muitas dificuldades e vagarosamente vem se construindo. Quem acompanha o que aconteceu nos últimos 16 anos e principalmente com a administração do Lula, sabe que nossa realidade mudou para melhor. O fato é que estamos nos reconstruindo, mesmo com todos os erros e caneladas. Em razão das mudanças que aconteceram, a grande maioria das pessoas aprova a atual administração. Eu particularmente aprovo algumas coisas, desaprovo outras, mas não sei se é o caso de reprovar o presidente. Juro que não sei quem reprova. Eu aprovo e não diria exatamente por mim, mas pelas muitas pessoas que conheço que nunca antes tiveram qualquer oportunidade de consumir, de viver melhor, ter sua auto-estima e estarem inseridas na economia, no quadro social e financeiro. Essas pessoas pela primeira vez se consideram parte do quadro social do Brasil. Pela primeira vez se percebem cidadãs e, em razão disso, não importa muito quem reprova.”

Equívocos da governabilidade...
Carlos Lessa
Ex-presidente do BNDES

“Não se trata de aprovar ou reprovar. Faço parte da minoria que não apóia ou que pelo menos deixou de apoiar o governo Lula. O problema é que de início imaginei e acreditava que ele fosse realizar as mudanças que o Brasil precisava, mas isso não ocorreu. Aconteceram muitos equívocos e muitas negociações para garantir a governabilidade que me deixaram de certa forma frustrado. O Lula tinha um capital político que lhe permitiria fazer as mudanças que quisesse e não as fez. A aprovação do Lula é decorrente do fato de ele ser do povo, de falar sua linguagem, de se identificar com o povo. Não podemos negar que ele se identifica com o povo, que ama o povo, o povo se sente amado por Lula e retribui esse amor. Sente-se protegido. Não saberia dizer quem reprova talvez uma parte da elite, talvez uma parte de aliados que não aprovam a maneira como se comportou para garantir governabilidade.”

Os Príncipes e o presidente!!!
Carlos Fernando
Presidente Regional do IPHAN
“Esse pequeno percentual de pessoas não me parece que reprovam o governo, mas reprovam o Lula especificamente. Penso que são pessoas que sempre quiseram ter um príncipe como presidente e tiveram que conviver com um operário na presidência. Um homem que tem todas as características boas e ruins, se é que podemos analisar como ruins as características que um operário tem. É normal que operário fale errado, é normal que em muitas ocasiões não saiba como se comportar à mesa. Um operário não sabe agir como um príncipe. Um príncipe tem a norma culta, mas não podemos perder de vista que os príncipes durante séculos administraram esse país e só souberam se comportar à mesa. Nada mais eles souberam fazer. Esse pequeno percentual que reprova o Lula representa mesmo uma quantidade muito pequena da sociedade brasileira. São pessoas que sabem olhar a vida a partir das etiquetas, que sabem quais os garfos que devem ser usados e que, ao invés de falar seje, falam seja; para elas, não obedecer a essas etiquetas se torna um crime inominável. Penso que é gente que reprova o Lula. Penso que Lula é e será preterido eternamente por essas pessoas que preferem príncipes em vez de presidentes.”

Difícil sabe
r.
Zuenir Ventura - Jornalista
“Nossa! Que questão difícil! Eu não faço a mínima ideia de quem sejam e quais as pessoas que reprovam o Lula. Os institutos de pesquisas deviam fazer uma pesquisa para saberem quais pessoas reprovam o Lula. Acho que só os institutos estariam abalizados para responder tal questão. É possível que eles tenham essa composição, que saibam qual a parcela da sociedade que reprova o Lula pois, da mesma maneira que eles sabem quem aprova e qual esse percentual de aprovação, eles também devem saber quem reprova, onde estão e que parcela da sociedade representa. A única verdade e a única constatação que podemos ter nisso tudo é que a popularidade, o carisma e aceitação de Lula são coisas inegáveis. Não adianta dar soco em ponta de faca, achar – como muita gente da oposição – que a popularidade do presidente é decorrente de projetos como o Bolsa Família. Não adianta os opositores insinuarem que o prestígio de Lula vem especialmente de pessoas alienadas ou analfabetas, do segmento mais pobre. Não acredito que seja isso. Temos que admitir que o Lula, que conseguiu 80% de aprovação, realizou uma façanha que não é para qualquer um. Podem existir pessoas insatisfeitas com o governo dele por razões idiossincráticas, de preconceito, de antipatia, mas a verdade indiscutível é que ele tem carisma pessoal.”

Govern
abilidade e equívocos...
Nelson Rodrigues Filho
Jornalista e
Produtor Cultural
“Não há como negar que o governo Lula modificou uma série de coisas no país. Mudanças que atingiram principalmente as classes menos favorecidas. Apesar disso, não podemos perder de vista que o governo Lula também deixou a desejar no sentido do conceito de governabilidade. A reprovação do Lula é em decorrência de atitudes implementadas que são injustificáveis e, aos olhos de muitos, equivocadas. Fechar os olhos para algumas coisas em nome da governabilidade não parece uma coisa correta e justa. Não acho que esse índice de reprovação tenha a ver com a elite brasileira. Essa reprovação vem de pessoas que ajudaram a construir o processo de redemocratização do país, colaboraram no surgimento do PT e que não gostam de uma série de coisas que foram acontecendo. Não aprovam, por exemplo, essa história de em nome da governabilidade o governo fechar os olhos às falcatruas. É uma questão de avaliação. O presidente avaliou que era importante fazer isso, mas as pessoas que sempre estiveram a seu lado não são obrigadas a concordar com suas avaliações.”


Preconceito X Gen
erosidade
Roberto D’Ávila
Jornalista e um dos produtores do filme “Lula, o filho do Brasil”

“Penso que essa reprovação é fruto do preconceito. O presidente Lula mostrou nesses 8 anos que é um homem de espírito aberto e sem amarguras. Um homem que olha para o futuro, que sempre buscou fazer o melhor que pôde como governante. Claro que o Brasil ainda tem muito por andar, muitas coisas para mudar, mas Lula deu uma lição para todos nós brasileiros: nos ensinou como é importante a generosidade. Ele é um homem que sofreu tantos preconceitos ao longo de sua vida e nem por isso se tornou amargurado ou rancoroso. Conheço bem a vida do presidente, li muito sobre sua trajetória e conversei muito com ele. Acho o Lula quase um milagre: aquele homem que viveu uma caminhada sofrida na própria vida até chegar à presidência da República. Apesar de tudo, esse homem não guardou mágoa e não demonstra nenhum tipo de preconceito. Por tudo que o Lula representa, por sua trajetória, acho difícil alguém ser contrário a ele. Podemos nos manifestar aqui, ali, discordar por uma razão ou outra, mas ser contra o Lula acho muito difícil. O Lula é um homem que já é parte da história.”

Com a cara do Brasil...
Paulo Lins - Escritor
"Essa coisa de gostar ou não do lula ou reprovar ou não o Lula é muito curiosa. A sociedade brasileira construiu um caminho curioso e inteligente, pois num momento escolheu para presidente o que tínhamos de melhor que poderia representar a intelectualidade, quando elegeu e depois reelegeu o Fernando Henrique, um sociólogo que veio da USP e, num outro momento, escolheu o que tínhamos de melhor no que poderia representar os movimentos sociais e as pessoas mais pobres ao eleger e reeleger o Lula oriundo do movimento sindical. O problema dessas governabilidades era a proposta dos governos. Para quem se governava e como se governava. O Lula tem a cara do Brasil e por isso, o Brasil se identifica tanto com ele. Votei no Lula, fiz campanha por ele e tenho por ele uma profunda admiração pelo que ele representa. Essa coisa de não gostar de Lula é muito curiosa, pois o cara tem 80% de aprovação popular e confesso que não consigo identificar quem são as pessoas que não gostam de Lula. Eu gosto".


Oligarquias engessadas

Antônio Pedro - Ator
“O Lula se identifica com as pessoas e as pessoas se identificam com ele. Essa relação que o Lula estabeleceu com a sociedade foge a essa política viciada que temos e, que em razão disto, ele tem toda essa popularidade. Ele tem uma olhar e uma postura independente do circulo vicioso do poder. Ele culturalmente é uma pessoa independente de toda essa coisa que esta montada, em cima deste esquema político, desse sistema de poder político brasileiro. Culturalmente esses caras que representam essas oligarguais, esses sistema de poder estão engessados. Estão presos à forma de poder que aprenderam a pensar. Estão amarados às suas histórias e suas trajetórias. Nesses sistema de representação diria que o maior adversário de Lula é a mídia. Esta mídia inteira que faz parte deste universo viciado. São cinco famílias que mandam no sistema de informação do Brasil. Esses são os verdadeiros opositores de Lula, são as pessoas que reprovam Lula. O sistema de comunicação no Brasil representa um gueto que precisa passar por um profundo processo de democratização. Informação de quem? – Informação para quem? Se apenas cinco famílias mandam em todo sistema de informação. Vamos parar com essa demagogia de que representam a cultura, a democracia, a liberdade de expressão e a livre circulação de informação. Eles representam e defendem seus próprios interesses e farão o que puderam para se manterem e se perpetuarem no poder".

Um divisor de águas
Noca da Portela - Compositor
"Quem não gosta do Lula? – Eu juro que não sei quem não gosta do Lula, mas... Eu sei quem gosta do Lula. Gostam do Lula aquelas pessoas que sempre foram excluídas – negros, gays, população carcerária, favelados, indígenas, e muitos outros grupos que sempre estiveram impedidos de sonhar. São essas pessoas que vivem em uma das maiores economias do mundo, onde poucos têm tudo e uma grande maioria não tem nada. O Lula serviu como um divisor de águas. Podemos até ser hipócritas e não querer ver, mas existia um país antes do Lula e existe outro pais depois do Lula. Viajo muito o Brasil e sempre percebi a distância entre esses dois países e não há como negar que essa distância diminuiu muito".

Sociedade de Manobra
Jair Bolsonaro
Entr
evista ao Jornal Capital Cultural concedida em outubro de 2009
“Não se trata de aprovar ou reprovar o Lula, se tatá de analisar o governo Lula. Ele seria muito bom se implantasse uma política de paternidade responsável,com planejamento familiar ou mesmo um controle de natalidade. Esse pessoal que recebe o “Bolsa Família”, que chamo de “Bolsa Farelo”, estão criando uma cultura de gente que não quer estudar, não pode trabalhar e então, pede dinheiro ao Bolsa Família, que não serve para nada. Essas pessoas representam uma massa falida, uma massa de manobra, uma sociedade de manobra que tem um título de eleitor nas mãos para perpetuar o Número 13, no caso, o PT e o governo Lula no poder. Políticas sem sentido como cotas na universidade, bolsa ditadura, são pretextos para a manutenção no Poder. Não tenho razão para gostar ou desgostar do Lula, apenas acho seu governo absolutamente equivocado"

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